2018 inicia com janela de oportunidades no mundo para as exportações de móveis

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Crédito: Divulgação

O mundo está com apetite por móveis. As importações globais devem movimentar este ano cerca de US$ 160 bilhões, prevê o presidente do Sindmóveis, de Bento Gonçalves, Edson Pelicioli. A fatia brasileira desse mercado, porém, corresponde a apenas 0,5%. A boa notícia é que analistas internacionais estão estimando crescimento superior a 4% ao ano até 2021 impulsionados pela inovação, uma área em que os industriais gaúchos já provaram ser craques.

Ano passado, o polo moveleiro do Rio Grande do Sul exportou US$ 172,7 milhões, de acordo com levantamento realizado pelo IEMI (Inteligência de Mercado), de São Paulo, o que coloca o estado como segundo maior exportador do país, com participação de 30%. Os negócios com o exterior avançaram 3,6% em relação ao desempenho de 2016, mas continuam distantes do registrado em 2014, de US$ 205,8 milhões.

Exportações 2017 - RS

Crescimento moderado pela frente

Durante a Movelsul 2018, realizada duas semanas atrás, em Bento Gonçalves, a direção da feira reuniu 70 importadores de vários países da América Latina, África, Emirados Árabes Unidos e Reino Unido. O resultado foi promissor: após três dias e 2484 encontros com fabricantes de móveis foram gerados uma expectativa de negócios da ordem de US$ 60 milhões. “2018 vai ser o ano da retomada do móvel. Sem euforia, pois estamos cientes do grande trabalho que vem pela frente, mas esse é o momento”, disse Pelicioli.

Cauteloso, o presidente da Associação das Indústrias de Móveis do Rio Grande do Sul (Movergs), Volnei Benini está convicto de que as exportações irão crescer, embora em um ritmo modesto. Ele não arrisca previsões. “Pelos cálculos da assessoria econômica da Fiergs, somente em 2020 nós vamos retomar ao patamar que tínhamos em 2014”, comenta o dirigente. “Em 2019 também teremos crescimento, mas com investimentos”, acrescenta.

A força do industrial gaúcho

O fator cambial teve peso na alavancagem, mas Benini atribui o esforço nessa retomada gradual a agressividade do industrial gaúcho. De acordo com ele, nos últimos dois anos a Movergs e outras entidades empresariais bateram forte para que o setor dirigisse uma parte da produção para o mercado externo. “Muitos partiram do zero e hoje estão com 10 a 15% do faturamento obtidos com exportação. Alguns superaram os 15%, outros ficaram pelo caminho. Mercado lá foram tem. Precisa trabalhar”, ensina.

Provocado a responder se o crescimento do setor gaúcho estaria sintonizado na mesma linha da previsão do mercado, que estima PIB ao redor de 3% neste ano, ele responde que não, e em tom preocupado argumenta que qualquer elevação acima de 3% traz junto o inevitável realinhamento das matérias-primas. “Nosso faturamento caiu, os estoques também, a contratação de mão de obra encolheu. O lojista não tem estoque: vende hoje, compra amanhã. Temo por uma reação desse porte. Prefiro crescimento modesto e contínuo”, salienta.

O mundo está comprador

Em 2017 as exportações brasileiras de móveis atingiram o mesmo nível de 2012, com embarques na ordem de US$ 532 milhões. O melhor ano continua sendo 2005, com US$ 860 milhões. Marcelo Prado, diretor do IEMI, reforça a tese de que não é o câmbio que vai aumentar as exportações. “É abrir mercados lá fora, ter representantes”, comenta, elogiando os esforços que testemunhou na Movelsul.

O crescimento projetado para 2018, de 9,5%, segundo Marcelo, é fruto desse esforço das empresas, e também a melhoria do comércio internacional. “As exportações deram uma recaída nos últimos dois anos e estão voltando a crescer agora”, diz, lembrando que a média de crescimento das principais economias mundiais nesse ano é de 3%. “As informações que colhi no setor de móveis é de uma retomada importante. O mercado está mais comprador. É bom aproveitar essa janela”, concluiu.

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