2018, um ano com potencial para surpresas positivas

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Após dois anos de uma crise gravíssima, que causou pelo menos uma sequela irreparável – o desparecimento de 10% do PIB per capita – o Brasil vive um momento bom do ponto de vista conjuntural. Tendo a seu favor um ambiente externo favorável, de recuperação do preço das commodities e valorização de ativos e, no mercado interno, a sinalização de taxas de juros e inflação em patamares baixos, bem como a melhoria do crédito para pessoas físicas, o país reúne as condições ideais para a materialização do retorno do consumo.

É justamente pelo consumo que o PIB irá crescer em 2018, lembrando que o consumo representa em torno de 60% do PIB brasileiro. Os economistas projetam alta do PIB de 2,5%, inflação medida pelo IPCA, de 3,5% e taxa Selic, que começa o ano com 7%, mas com chance de recuar ao nível de 6% no primeiro semestre. A grande incógnita sobre a continuidade desse cenário é identificar qual a tendência do debate político que ganhará relevância a partir de agosto quando inicia a campanha eleitoral nas ruas, na mídia e nas redes sociais.

Janela de oportunidade

“Estamos numa situação invejável do ponto de vista econômico. Se olhar os últimos seis meses verá que o Brasil mudou. Temos inflação sob controle, taxa de juros menores, confiança aumentando. Acho que o varejo terá um ano bom”, diz José Galo, CEO da rede de lojas Renner. “A grande incógnita é a eleição. Ela que vai ditar o ritmo, maior ou mais ou menos da economia. Se for uma boa eleição, o país deslancha não apenas em 2018, mas em 2019 também”, complementa.

Fernando Holanda Barbosa Filho, pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da FGV, diz que o Brasil precisa aproveitar essa ‘brecha’ em que o mundo está benevolente com juros baixos e inflação controlada, o que significa uma janela de oportunidades. “As coisas estão melhorando, mas a situação continua dura”, resume. “Não é que tenhamos mais gente otimista com o futuro do país, mas sim o fato de ter menos pessimistas”. Ele ressalva que há pontos na agenda que não podem ser esquecidos, como o déficit estrutural, baixa produtividade, risco de escassez energética pela falta de chuvas e, o maior deles, a reforma da Previdência.

De olho no déficit fiscal

“O risco fiscal ainda é grande com o déficit de 5% do PIB. Se não mexer na estrutura da economia “haverá aumento de impostos, mesmo que temporariamente”, assinalou o economista, para quem o fundamental é evitar que a dívida exploda e a inflação seja elevada. “Quem vai pagar a conta, questionou. Será pelo corte de gastos públicos ou por elevação da alíquota do Imposto de Renda, já na faixa dos 33%? O Brasil gasta 13% do PIB com a Previdência Social, o que representa mais do que o que gasta com Saúde e Educação”, disse.

O economista-chefe do Banco Safra, Carlos Kawall, ex-Secretário do Tesouro Nacional, concorda com as análises de Fernando Holanda. “Havia previsão de uma instabilidade na economia mundial que acabou não ocorrendo. O preço das commodities se recupera, o que é favorável para países em desenvolvimento como o Brasil. Está tão bom que não dá para melhorar”, destacou. Lembrou que a crise brasileira “é nossa mesmo”, levando o país a ficar entre os piores do G-20.

Longo caminho a percorrer

Apesar da volta do crescimento da economia, para a Kawall somente em 2019 vamos recuperar o PIB que tínhamos em 2014.  Comemorando que “a recessão ficou para trás” com a recuperação do consumo, disse que foram perdidos três milhões de empregos formais desde 2015. A Reforma Trabalhista foi uma boa notícia diante da possibilidade de acordos legais entre patrões e empregados. Para ele, a taxa de juros ficará em 7% ao ano até 2019. “Seguimos a velha e boa teoria econômica e tudo melhorou”. Alertou para o déficit R$ 500 bilhões/ano em despesas obrigatórias em total rigidez, o que segundo ele, “é insustentável”. Defendendo a Reforma da Previdência, disse que “nenhum país do mundo prescinde da idade mínima para a aposentadoria”.

André Francisco Nunes de Nunes, economista-chefe da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul, é cauteloso: “Começamos a recuperar aos poucos, mas o caminho será longo”, afirmou, salientando que uma recuperação cíclica está em curso. Após 11 trimestres consecutivos de perdas, com uma queda acumulada de 8,2%, o PIB brasileiro voltou a crescer nos últimos dois trimestres. “O PIB de 2014 só deverá ser retomado em 2020, e o da indústria, em 2021, ainda deve ser inferior ao pico de 2013”.

Cenários diferentes

Segundo estudo da Fiergs, os fatores que impedem a retomada do crescimento são a situação financeira e a ociosidade das empresas, o mercado de trabalho deteriorado, o baixo crescimento da renda familiar e a crise fiscal do setor público. Sem o ajuste fiscal há três alternativas: aumento da dívida pública, aumento de impostos e emissão de moeda. André Francisco observa que o crescimento do PIB começa a ser impulsionado pelo mercado interno, com o consumo das famílias registrando variação positiva de 2,2% no terceiro trimestre de 2017, acima do PIB (+1,4%). A Fiergs estima três cenários para a economia gaúcha em 2018: 0,8% (inferior), 2,0% (base) e 3,2% (superior).

A retomada do crescimento econômico brasileiro será puxada pela indústria e pelo comércio, prevê coordenador do Núcleo de Economia da Federasul, Fernando Marchet, lembrando que o cenário para o Brasil é um e para o Rio Grande do Sul, outro, devido a dependência do Rio Grande do Sul a economia brasileira. Ele estima o PIB brasileiro de 2,8% em 2017 e de 1,4% no Rio Grande do Sul. “Estamos crescendo de forma moderada, com desempenho comedido do setor agrícola e mais nas áreas do comércio e de serviços”, observou.

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