Assinatura de convênio do governo do estado com Associação Hidrovias RS não tem previsão

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Divulgação/SPH

Ainda não saiu do papel um dos mais criativos projetos de parceria público-privada no setor hidroviário do RS. Lançada em maio do ano passado com o objetivo de induzir o uso desse modal na matriz do transporte estadual, a Associação Hidrovias RS aguarda a assinatura de convênio com o governo do estado, a fim de garantir a participação do Executivo na manutenção da infraestrutura hidroviária. Os termos do convênio incluem também a participação do poder público estadual no conselho da entidade formado por operadoras de terminais privados, federações setoriais e municípios com acessos hidroviários.

Vantagem econômica

Conforme Miguel Pires, assessor técnico da Associação Brasileira de Terminais Portuários (ABTP), a ideia é explorar  o potencial de 65 municípios com acessos a hidrovias, como ferramenta de fomento ao uso desse modal, a partir da instalação de Parques Hidroviários Industriais e Logísticos. Hoje, 85,3% das cargas  no Rio Grande do Sul são transportadas pelo modal rodoviário, 3,6% pelo hidroviário, 8,8% pelo  ferroviário e apenas 0,2% por meio do aeroviário.

Estudos demonstram que se for tomado o modal rodoviário como base 100, o ferroviário custaria 70% e o hidroviário 50%. Além da vantagem econômica, ou seja, a redução do custo do frete,  o uso da hidrovia do ponto de vista ecológico  é mais correto. Um comboio de quatro chatas e um rebocador, por exemplo, retiraria das rodovias um conjunto de 172 carretas rodoviárias graneleiras com capacidade de 35 t cada uma. Para transportar uma tonelada de carga por mil quilômetros via rodoviário são emitidas 219 gramas de CO₂ por via ferroviária 104 gramas e por hidrovia  74 gramas.

No estado, o único distrito industrial vinculado à hidrovia, não  planejado pelo poder público estadual, é o polo petroquímico de Triunfo.  Outros empreendimentos se localizaram próximos à hidrovia, mas sem o conceito de organização territorial e de infraestrutura. Recentemente, a Celulose Riograndense, de Guaíba, acertou a utilização do transporte de 1,7 milhão de toneladas/ano de celulose pela hidrovia. Somente essa operação vai eliminar 180 viagens de ida e vinda de caminhões pela BR 116, no trecho entre Pelotas e Guaíba, beneficiando o meio ambiente.

Movimento de cargas

Hoje, segundo Pires, o movimento de cargas por meio de hidrovias no Rio Grande do Sul, ainda sem considerar a expansão da operação da Celulose Riograndense, representa entre 5 a 6 milhões de toneladas por ano, basicamente formado por derivados de petróleo, petroquímicos, fertilizantes, madeira e celulose.    “O Rio Grande do Sul nunca conseguiu montar o seu modelo de desenvolvimento em torno dos rios, sempre foi pela rodovia”, disse Pires. “É preciso identificar e desenvolver regiões com potencial suficiente para proporcionar a demanda que a hidrovia exige.”

Fundo privado

Além de atuar no fomento ao uso das vias navegáveis no estado — Jacuí, Taquari, Lagoa dos Patos e Lago Guaíba —, a Associação deverá criar um fundo privado para a manutenção da infraestrutura das hidrovias, o qual contará com a participação dos terminais privados em operação. Com base nos estudos realizados pelo EVTEA da hidrovia Brasil-Uruguai, Pires estima em até R$ 15 milhões por ano a demanda de recursos necessária para manter a navegabilidade dos eixos hidroviários, o que seria executado em comum acordo com a Superintendência de Portos e Hidrovias (SPH).

Os municípios de Tapes, Guaíba, Uruguaiana (no rio Uruguai), Rio Pardo  e Montenegro estão com estudos avançados para a implantação dos chamados Parques Hidroviários Industriais e Logísticos. Antes de avançar o projeto, entretanto, Pires ressalta a importância de um conjunto de 12 ações estratégicas, entre essas a elaboração de um marco regulatório e a eliminação de entraves.

Comparativo entre modais:

Ocupação de espaço longitudinal nas respectivas vias:

    • Comboio hidroviário com capacidade para 6000 t (4 chatas e 1 empurrador): 150m.
    • Comboio ferroviário com capacidade para 6020 t (3 locomotivas e 86 vagões para 70 t): 1700m.
    • Conjunto de 172 carretas rodoviárias graneleiras para 35 t cada uma: 3500m, se estacionadas ou 26000m, se em movimento.

Emissão de CO₂ para transportar 1 tonelada de carga por 1000 km:

    • Hidroviário: 74 gramas.
    • Ferroviário: 104 gramas.
    • Rodoviário: 219 gramas.

Consumo de combustível para transportar 1 tonelada de carga por 1000 km:

    • Hidroviário: 4 litros.
    • Ferroviário: 6 litros.
    • Rodoviário: 15 litros.

Custo, aproximado, para construção de 1 km de infraestrutura:

    • Hidrovias: US$ 34 mil.
    • Ferrovias: US$ 1,4 milhão.
      Rodovias: US$ 440 mil.

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