Bloqueio nas rodovias afeta aeroportos, distribuição de alimentos e abastecimento nos postos de gasolina

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No Rio Grande do Sul há 19 rodovias estaduais e nove federais com pontos de manifestações do caminhoneiros Crédito: Divulgação

“O problema não é o preço dos combustíveis e sim a volatilidade dos preços dos combustíveis”. A opinião é do empresário Frank Woodhead, presidente em exercício do Sindicato das Empresas de Transporte e Logística do Rio Grande do Sul, ao avaliar a manutenção dos focos de paralisação de caminhões em estradas estaduais e federais de todo o País. O Rio Grande do Sul tem 19 rodovias estaduais e nove federais com focos de bloqueios.

O impacto causado pelo movimento liderado por caminhoneiros autônomos já afeta o abastecimento de diversas aeroportos, cadeias industriais, principalmente de alimentos e também nos postos de combustíveis. Empresas que fazem o transporte coletivo de passageiros de Porto Alegre emitiram um alerta no final do dia avisando que os estoques de diesel nas garagens estão próximos do fim.

Refinaria cercada

O recolhimento de lixo em Porto Alegre corre o risco de ser prejudicado, pois há pontos de bloqueio na BR-290 que dá acesso ao aterro localizado em Minas do Leão. Vários caminhões estão presos, o que afeta diretamente a Estação de Transbordo, situado na zona leste da capital gaúcha, que deve atingir a capacidade máxima de absorção de material nesta sexta-feira.

De acordo com Frank Woodhead, muitas transportadoras gaúchas estão optando pela cautela na hora de liberar seus caminhões neste momento. “É preciso preservar o motorista, o caminhão e a carga”, observa Woodhead. “O momento é de ter calma”, diz, preocupado com o clima tenso na manhã desta quarta-feira nas proximidades da Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), em Canoas, que amanheceu cercada. Caminhões tanques carregados de combustíveis foram impedidos de ingressar na refinaria.

Greve continua

Woodhead torce para que as negociações que estão acontecendo em Brasília cheguem a um entendimento o mais breve possível e teme pelo agravamento da situação caso não se chegue e um acordo até o final dessa semana. “Podemos registrar algum tipo de desabastecimento caso o movimento se estenda após sexta-feira”, teme o presidente em exercício do SETCERGS. Ele considera inadmissível a retenção de ambulâncias e de caminhões que transportam produtos perecíveis, como hortigranjeiros e animais vivos.

Em um encontro que durou mais de uma hora em Brasília, entre o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha e diretoria da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos, terminou sem acordo nesta quarta-feira. O governo pediu um prazo de 24 horas para encontrar uma solução. O representante dos caminhoneiros, Dilson Bueno, comentou que a proposta do governo foi insuficiente.

Alternativa é pelo ar

Nesta quarta-feira, o presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia, disse que negocia com o governo federal um corte provisório no PIS/Cofins que incide sobre o diesel, para permitir uma redução maior no valor do combustível.

Com 12 restaurantes em três estados (Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo), o diretor da rede Di Paolo, Paulo Geremia, enfrenta problema desde o começo da semana para liberar uma carga de produtos, como frango, verduras e massa, retidos na cidade de Tubarão (SC) cujo destino é abastecer a filial na capital paulista. “Se não liberarem vou ter que mandar de avião”, informa o empresário. A carga saiu segunda-feira de Presidente Lucena – próximo de Nova Petrópolis.

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