Brasil precisa quadruplicar o investimento privado em infraestrutura para retomar crescimento

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Cláudio Frischtak

Em sua Carta de Conjuntura divulgada em setembro, o economista Cláudio Frischtak, presidente da Inter.B Consultoria Internacional de Negócios, de acordo com trabalhos realizados para o IPEA, prevê a necessidade de se investir 4,15% do PIB por aproximadamente duas décadas para modernizar a infraestrutura do país, o que significa quadruplicar o investimento privado no setor.  Ele nota que desde 2011, os investimentos privados têm participação mais relevante, chegando a 63,3% do total em 2017, refletindo a deterioração do quadro fiscal e a redução de quase 60% dos investimentos públicos no setor de energia elétrica, decorrente do fim de um ciclo de grandes obras e ainda da destruição da capacidade de investimento da Eletrobrás. Ainda assim, os gastos públicos dominaram basicamente em saneamento (78,3%), mobilidade urbana (77,6%) e transporte rodoviário (68,5%).    Para o economista, o país está claramente distante da trajetória seguida por países de renda média. Estes fizeram esforço considerável nas últimas duas décadas para prover uma nova governança aos investimentos em infraestrutura para ampliá-los de forma eficiente, na correta crença de serem essenciais tanto para a competitividade desses países como o bem-estar da sociedade.  “Sem esses investimentos, o resultado é uma redução do potencial de crescimento do país dependente de forma mais intensa em ganhos de produtividade que virão por meio dos investimentos eficientes em infraestrutura, das melhorias na educação e no capital humano”.

Em 2018 investimentos devem fechar em 1,70% do PIB

Em 2017, os investimentos em infraestrutura caíram 9,6% em termos nominais em relação ao ano anterior e aproximadamente 12,4% em termos reais1. As variações nominais nos investimentos públicos e privados foram de -26,5% e 4,4%, respectivamente. Como porcentagem do PIB, os investimentos em infraestrutura em 2017 foram de 1,69% ante 1,95% em 2016.
Em 2018, os investimentos em infraestrutura no país devem somar R$ 117,8 bilhões, correspondente a 1,70% do PIB.
Modais

De acordo com os dados da Carta de Conjuntura, os investimentos agregados no setor de transportes devem somar 0,61% do PIB em 2018, um ganho de certa forma marginal após o forte recuo de 2017. Estima-se que esse setor deveria absorver cerca de 2% do PIB anualmente por um período de ao menos duas décadas, tomando-se por referência a experiência de países de renda média que modernizaram os transportes em seus diferentes modais.

Rodovias

No caso de rodovias não se projeta uma mudança significativa em 2018 frente a 2017, sendo altamente provável uma estabilidade dos investimentos em termos nominais, e consequentemente uma leve queda em termos reais. Uma expansão consistente dos investimentos estará sujeita a um processo ampliado de concessões rodoviárias tanto no âmbito federal quanto dos estados, já sob os novos governos.

Ferrovias

Em 2018 os investimentos no modal ferroviário deverão encolher tanto em termos nominais quanto reais, devido principalmente ao atraso na renovação das concessões existentes e das novas licitações previstas. Uma vez superado esse gargalo fundamentalmente de natureza institucional – legal e regulatória – há a expectativa de um surto de investimentos neste modal, seja pelos potenciais ganhos de eficiência, seja pela demanda reprimida.
Aeroportos

Na estrutura aeroportuária, espera-se uma expansão significativa após a contração observada em 2017, quando grande parte dos investimentos contemplados na rodada de concessões de 2012 já havia sido concluída. A assinatura de novos contratos em julho de 2017, que preveem a realização das principais obras até 2021, é responsável por dar novo impulso ao subsetor, estimando-se um aumento de 152,9% nos investimentos. A eventual licitação dos novos “blocos” – senão este ano, no próximo – terá igualmente um papel de ampliar os investimentos, desta vez integrando aeroportos maiores com os de natureza regional atualmente pouco explorados.

Portos

No subsetor portuário, estima-se uma expansão de 44% nos investimentos, correspondente a R$ 3,9 bilhões. Há forte domínio do investimento privado, que deve comandar aproximadamente 81% dos dispêndios em capital neste modal em 2018. Tendencialmente, na medida em que avance o programa de arrendamento de áreas em portos públicos assim como autorização de terminais fora do perímetro desses portos (TUPs), inclusive por força da navegação de cabotagem, assim como de maior competição em granéis líquidos, os investimentos no segmento devem ganhar peso relativo nos próximos anos.

Hidrovias

No caso das hidrovias, estas ainda são impulsionadas pelos aportes públicos, apesar do potencial de exploração privada com base numa atualização no âmbito legal e regulatório, de modo que o setor privado possa expandir seus investimentos com maior grau de segurança jurídica, seja em regimes de concessão ou de autorização (o que ainda não é o caso).

Mobilidade

O aumento moderado nos gastos em mobilidade urbana, majoritariamente públicos e muito distantes das necessidades da população, é explicado pelos investimentos decorrentes do Programa Avançar, anunciado no último trimestre de 2017. Os planos de mobilidade nas grandes cidades ainda se fragilizam pela má gestão do transporte público, cuja ótica deve privilegiar a integração multimodal no âmbito metropolitano, e acessível por meio de um bilhete único.

 

 

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