Brasileiro gosta mesmo é de Estado forte

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 Por Milton Wells

Qual o futuro que você deseja para o Brasil? O de um país com um Estado populista, sempre contrário à economia de mercado, ou um Estado moderno, democrático, em que, fora a atuação na saúde, educação e segurança, prevalece a competição. Essa é a tônica do novo livro do economista Fábio Giambiagi, um estudioso das mazelas do Brasil. Em Capitalismo – Modo de Usar (editora Campus/Elsevier), Giambiagi usa como epígrafe uma das frases utilizadas pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Ao preparar o então presidente do Banco Central, Armínio Fraga, para a sabatina do Senado Federal, em 1999, FHC disse: “Lembre-se, o Brasil não gosta do sistema capitalista. Os congressistas não gostam do capitalismo, os jornalistas não gostam do capitalismo, os universitários não gostam do capitalismo. O ideal, o pressuposto que está por trás das cabeças, é um regime não capitalista e isolado, com Estado forte e bem-estar social amplo.”
Segundo o autor, o que gerou a motivação para esse livro é a percepção de que ainda hoje, 193 anos depois da Declaração da Independência, o Brasil continua sendo um país onde uma parte considerável das pessoas continua sem entender como funciona adequadamente o regime capitalista. “Capitalismo – Modo de Usar” traz em seu prefácio um novo olhar sobre o sistema capitalista do jornalista e antigo militante esquerdista Fernando Gabeira. Traz ainda, na orelha, um texto do comediante Marcelo Madureira que desafiou o autor a escrever um livro sobre Economia acessível ao grande público.
Para ajudar o leitor a entender melhor algumas das questões sobre o tema, Giambiagi demonstra como a cultura nacional mantém viva a noção de que a solução de todos os problemas virá dos favores estatais, ao defender uma forte presença do Estado e do bem estar amplo. Profundo conhecedor da Previdência, o maior símbolo deste equívoco, o autor mostra que a despesa do INSS em 1988 foi de 2,5% do PIB, em 2015, será quase de 7,5% do PIB- e continuará subindo, uma vez que o número de idosos aumentará e, torno de 4% ao ano, nos próximos 15 anos. “É uma tragédia anunciada. É como se o país tivesse feito uma escolha pelo passado em detrimento das gerações furas”, diz o autor.

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