Exportações de espumantes brasileiros crescem 47% em 2017 e caem no gosto de americanos e chineses

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Dentro de dois, no máximo três anos, o volume exportado de espumantes brasileiros atingirá o marco de um milhão de litros. Considerando que se trata de uma bebida de elevado valor agregado, é um número mágico, e ao mesmo tempo desafiador, disse à Modal, o gerente de promoção do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), Diego Bertolini. No ano passado, o Brasil vendeu 256,7 milhões de litros de espumantes para o mercado externo, alta de 47% sobre o total comercializado em 2016, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (19).Balanço 2017 - Exportações

Estados Unidos, China, Reino Unido e países da América do Sul estão na alça de mira dos empresários. “Nós já poderíamos ter colocado a América do Sul na frente, aproveitando a proximidade geográfica e da logística, mas preferimos primeiro consolidar a presença em outros países. A partir deste ano, a estratégia será direcionada para esta região”, informa Bertolini, acrescentando que as vinícolas têm tido grande sucesso no exterior com suas linhas tops.

Principal bandeira de 2018

O preço médio do litro de espumante comercializado no exterior situou-se em US$ 4,59, mas no caso específico dos Estados Unidos o valor médio por garrafa girou em torno de US$ 10,0, cinco vezes maior que o Paraguai. Para se ter outra ideia, o valor obtido com as exportações de vinhos em 2017 foi de US$ 7.756 milhões, alta de 45% sobre 2016, enquanto que os espumantes resultaram em vendas de US$ 1.179 milhões, e aumento de 65,7% em relação ao ano anterior.

Balanço 2017 - Principais Destinos

A participação dos vinhos brasileiros na comercialização total no ano passado alcançou 50,2%, já a de espumantes ficou em 7,8%, mas de acordo com o gerente de promoção do Ibravin se trata de um índice representativo, já que o potencial de negócios da bebida em todo o mundo, em média, gira ao redor de 5%. “O espumante é a principal bandeira da entidade para 2018, sem se descuidar dos vinhos e suco de uva, é claro”, faz questão de ressaltar o executivo.

Um brinde na primeira classe da Latan

Um dos alvos prioritários do projeto Wines of Brasil, realizado em parceria entre Ibravin e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) para a promoção comercial no mercado externo, é o Chile. Conforme Bertolini, embora seja um produtor tradicional de espumantes, os chilenos estão se rendendo aos similares brasileiros. “Nós tentamos colocar os espumantes na TAM e nunca conseguimos. Como a Latan tem um Sommelier, ele colocou os espumantes brasileiros na primeira classe e na classe executiva”, conta.

As 42 empresas participantes do Wines of Brasil responderam por, aproximadamente, 95% do resultado obtido em 2017 na exportação. O desempenho do grupo foi ainda mais expressivo, obtendo incremento de 55,6% nas vendas ao exterior. No entanto, o universo de vinícolas exportadoras é estimado em cerca de 100 empresas.

Importações preocupam

No lado inverso, as importações têm preocupado os dirigentes do setor e nada chama mais a atenção do que a intensificação de marcas próprias patrocinadas por grandes redes supermercadistas sediadas no Brasil, trazidas preferencialmente do Chile. “Nosso trabalho tem sido continuamente o de ampliar a base de consumo e morder uma fatia da cerveja e do destilado”, diz Bertolini, para quem o share brasileiro se situe na faixa de 65%. Na disputa pelos vinhos finos, a presença brasileira desaba para 15%.

De acordo com o blog Vinho Sem Frescura, do enólogo Adolfo Lona, a participação dos vinhos de fora, que era de 82% agora é de 88%. Para os nacionais sobrou apenas 12%. Ou seja, a cada 100 garrafas de vinhos finos bebidas no Brasil, quase 90 são importadas. A França triplicou o volume, Espanha cresceu 65%, Itália 45%, Portugal 50%. O Chile continua sendo o campeão, com 43% do volume total de importados, chegando a quase 5,7 milhões de caixas de 12 unidades (mais de 51 milhões de litros). “O salto das importações é devido, principalmente, pela ação forte das grandes redes de supermercado e os e-commerce. Com isso o mercado se encheu de vinhos marca diabo, a preços muito atrativos”, diz o enólogo.

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