Lideranças de Caxias do Sul não abrem mão de ter aeroporto de porte internacional

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Crédito: Divulgação

Atualmente, 65% da produção industrial de Caxias do Sul tem como destino outros estados, 8% é exportada. Parte das quase 3 milhões de toneladas movimentadas por ano – importações e exportações – utiliza o modal aéreo. Como o aeroporto Salgado Filho não oferece aviões cargueiros de grande porte devido a limitação da pista, ela é enviada muitas vezes em voos comerciais de passageiros. Já a remessa de encomendas para Manaus, Recife e Fortaleza vai de caminhão até Guarulhos e Viracopos (SP) e de lá despachada por aviões cargueiros.

Dos 3 milhões de toneladas anuais, mais de 20% corresponde ao transporte de aço do centro do país para a região, operação que movimenta 20 mil caminhões anualmente, 1,6 mil todos os meses ou 67 viagens diárias apenas para esta matéria-prima, de acordo com dados do Sindicato das Indústrias Mecânicas, Metalúrgicas e de Material Elétrico de Caxias do Sul (Simecs). Conforme a Câmara de Indústria Comércio e Serviço de Caxias do Sul (CIC), até 2020, o volume transportado pode ultrapassar 4 milhões de toneladas.

Aeroporto de Caxias do Sul

Pista de 3,2 mil metros

Baseado nessa realidade, lideranças de Caxias do Sul tem concentrado os esforços nos últimos cinco na construção de um aeroporto de porte internacional e não regional como consta no Plano Estratégico de Desenvolvimento 2015-2030. O empresário Nelson Sbabo, diretor de Política Urbana e Infraestrutura da CIC é o defensor dessa ideia, e é nisso que ele está debruçado neste momento. Ao invés de uma pista de 1,9 mil metros, ter duas, de 3,2 mil metros cada, capaz de receber aeronaves do nível de um Boeing 787. “A ideia está caindo de maduro”, diz.

Embora conte com área de 433 hectares, decretada como de utilidade pública desde 2011 pelo então prefeito José Ivo Sartori, na localidade de Vila Oliva, distante cerca de 30 quilômetros de Caxias do Sul, o maior obstáculo ao projeto é o aeroporto Salgado Filho. A Fraport tem planos ambiciosos para estimular o transporte de passageiros e de cargas a partir da ampliação da pista em mais 920 metros, totalizando 3,2 mil metros. Com recursos já definidos de R$ 1,5 bilhão, a concessionária alemã larga na frente com pelo menos cinco anos de vantagem sobre Caxias do Sul.

Carga disputada

A construção de um aeroporto de porte de Caxias do Sul beneficiará a logística em pelo menos um aspecto: diminuição no tempo, tanto para receber como enviar mercadorias. Uma possível redução no custo do frete ainda não foi avaliada pela CIC, pois isso “requer uma pesquisa sobre o tipo de carga a ser transportada e quais os destinos”, conforme uma fonte da entidade. Há um outro fator de preocupação, que é a disputa por carga entre dois aeroportos, localizados relativamente próximos um do outro.

Mauro Vencato, membro da diretoria de Negócios Internacionais da CIC, observa que o objetivo da Fraport é transformar o Salgado Filho em um hub, aeroporto concentrador do Mercosul. “O de Caxias ainda é algo utópico. Não há nada de concreto, a não ser a área. A CIC está trabalhando, e o pleito vai continuar, mas estamos falando de algo de longo prazo. E contando que apareça alguém da iniciativa privada, porque nem o estado nem a União tem recursos para bancar o investimento”, diz, lembrando que uma PPP ou concessão ocorre se a operação tiver retorno financeiro.

O diretor de diretor de Política Urbana e Infraestrutura da CIC não pretende desistir da ideia de concretizar o projeto. “O pessoal da Lufthansa falou que coloca três cargueiros por mês aqui”, informa Nelson Sbabo, que liderou as negociações para a conclusão da Rota do Sol, ligando a serra ao litoral norte do estado.

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