Marcopolo reduz pela metade custo do modelo urbano

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Marcopolo, Caxias do Sul/Divulgação

Desde que a Marcopolo, de Caxias do Sul, decidiu levar para o Rio de janeiro metade da produção do modelo urbano, com o propósito de ficar mais próxima do mercado consumidor (região Sudeste), a redução com custos logísticos caiu, igualmente, pela metade. A cadeia logística, todavia, é constantemente analisada e realizados kaizens com o objetivo de buscar minimizar custos e eficiência.

As inovações ainda incluem processos estratégicos para seleção de parceiros logísticos, aproximação da cadeia fornecedora e análise relativa a modais de transporte. “Podemos citar também a otimização do equipamento de transporte, a otimização de embalagem e o Milk-run” conta Nilo Vanderlei Ribeiro Borges, gerente de Aquisição e Logística. Milk-run é um sistema baseado no just-in-time, no qual o estoque é reposto com maior frequência, dispensando grandes investimentos com infraestruturas e funcionários, eliminando ainda o desperdício de materiais. “Nós avaliamos evoluções tecnológicas, mas a curto prazo não temos intenção de implantar um novo software gerencial, e sim aprimorar o que possuímos para atender nossa demanda e melhorar a informação”, ressalta o executivo.

 INDICADOR DE DESEMPENHO LOGÍSTICO

 O principal indicador de desempenho logístico refere-se ao custo de frete em relação ao faturamento, ou seja, quanto o frete representou percentualmente em relação ao valor do ônibus. Segundo ele, o custo logístico depende muito dos locais de entrega e modelos vendidos, mas com base em dados históricos é de aproximadamente de 1% para o mercado Interno e de cerca de 2% para o mercado externo. A Marcopolo conta com uma área responsável pela gestão de transportes, formada por quatro pessoas, duas para atendimento ao mercado interno e duas para mercado externo.

“Como o serviço de transportes é terceirizado, a centralização das operações é realizada pela transportadora, a Servicarga, que repassa as informações relativas a embarques, entregas, transit-time ao setor gerencial da Marcopolo”, comenta Ribeiro. Acrescenta que pela Servicarga, o controle está centralizado em Caxias do Sul, com informações simultâneas coordenadas pelas filiais. “Não opera 24 horas por dia, pois os ônibus não rodam à noite por questões de segurança e por respeito à Lei do Motorista, que determina descanso de 11 horas na intrajornada”, diz.

ACOMPANHAMENTO A DISTÂNCIA

 Para fazer o acompanhamento em tempo real das viagens, a Servicarga usa o sistema LINK Monitoramento, mais a sua página própria, online, celulares corporativos com todos os motoristas e informações através de pontos de apoio de parceiros nos trajetos percorridos. “Isso permite a Marcopolo o rastreamento veículo a veículo, bem como relatórios gerenciais diversos. Os percalços que podem ocorrer são eventuais problemas mecânicos, interrupção de rodovias devido a acidentes ou o reparo de pistas”, diz o executivo. Além disso, a Marcopolo usa o módulo Transportation do Sistema SAP para gerenciar os transportes.

Para o mercado interno o envio de ônibus urbanos e rodoviários é feito na modalidade conhecida como “autopropulsionados” ou “rodando por meios próprios”, isto é, os veículos são levados por motoristas treinados e capacitados com CNH em categoria exigida pelo Contran. Em alguns casos – lançamentos, protótipos ou especiais (elétricos) – são transportados na modalidade “embarcado” ou “sobre prancha”, implementos de transportes desenvolvidos especialmente para esta finalidade. A entrega do Volare também utiliza o sistema “sobre prancha”.

CONTROLE DE QUALIDADE DE EMBARQUE

A Servicarga Transportes e Serviços Ltda., que desde janeiro de 1991 faz o transporte para a Marcopolo, tem matriz em Caxias do Sul e filiais em Curitiba (PR), São Bernardo do Campo (SP), Duque de Caxias (RJ) e São Mateus (ES). Conta com 177 motoristas e mais 30 empregados em áreas como administrativa e operacional. “Todos os ônibus são retirados pela Servicarga somente após a liberação do Controle de Qualidade e quando a documentação para embarque estiver completa. Antes do início da viagem é feita conferência e verificação para ver se os ônibus estão em condições normais de trafegabilidade”, informa.

No caso de entrega de veículos para os países da América do Sul entra o transportador internacional de cargas, devidamente regulamentado junto a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) e também a do despachante aduaneiro, que coordena o “cruze” na fronteira.
De acordo com o executivo, há diferenças entre os países. “Cada um possui a sua própria legislação e nem todos transportadores homologados para operar na Argentina tem permissão para operar no Peru”, exemplifica Ribeiro. Nas exportações, os portos mais utilizados são os de Rio Grande, Navegantes, Itajaí, Paranaguá, Santos e Rio de Janeiro. Rio Grande é a primeira opção para a Marcopolo, devido ao custo/benefício da operação.

Desde novembro do ano passado, ela se serve do Terminal Santa Clara, em Triunfo para o envio de CKD´s em containers (itens para abastecer as fabricas de México, Colômbia e África do Sul), além de algumas peças de reposição para Peru e Egito. “Hoje, 85% dos containers são entregues em Santa Clara. Diminuímos o custo logístico no transporte dentro do Brasil em torno de 25%”, revela. Em média, a empresa movimenta 40 containers/mês neste modal.

Por Guilherme Arruda

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