Para o presidente do Fórum de Infraestrutura (RS), o Pelt pode facilitar captação de recursos para investimentos no estado

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Cylon Rosa Neto/Divulgação

O Plano Estadual de Logística de Transportes (Pelt-RS) mostra que o RS pode construir algo de longo prazo para a sociedade, sem conflitos ideológicos ou interesses políticos que prejudicam os investimentos em infraestrutura. Além de representar uma ferramenta de planejamento sempre desejada e não obtida, pode servir de líder de funding a instituições financeiras nacionais e internacionais, declarou à Modal o engenheiro Cylon Rosa Neto, presidente do Fórum de Infraestrutura das Entidades de Engenharia do Rio Grande do Sul (FIEE-RS), ao comentar a proposta do empresário Humberto Busnello de converter o Pelt em projeto de lei. Acompanhe a seguir a sua entrevista na íntegra:

Em entrevista à Modal, o empresário Humberto Busnello defendeu a conversão do Pelt-RS em projeto de lei? O senhor concorda?
Estamos completamente de acordo. Desde a origem, em 2009, o Fórum de Infraestrutura defende requisitos de sustentabilidade técnica, econômica e ambiental para a totalidade dos investimentos em infraestrutura, hoje prejudicados por interesses políticos às vezes difusos e estudos de viabilidade inexistentes ou inconsistentes e, na maior parte das vezes, dirigidos por interesses político-eleitorais. Nosso entendimento é de que o Pelt é uma quebra de paradigma positivo em todos os sentidos, isto mostra que podemos sim, no RS, construir algo de interesse e de longo prazo para a sociedade, sem conflitos ideológicos, os  quais, infelizmente, presenciamos de forma constante ao longo da história nos mais diferentes ramos da nossa estrutura social, política e produtiva.

Com o Pelt o estado resgata o planejamento?

Não nos é permitido investir em um requisito estratégico para o país como a infraestrutura sem uma robustez de planejamento, pois investimentos em infraestrutura sempre são representativos em valor e tem horizonte de gerações. O Pelt representa uma ferramenta de planejamento sempre desejada e não obtida. Agora com sua efetivação pode o estado hierarquizar de forma racional e consistente seus investimentos nesta área, além de poder, como instrumento de estado e não de governo, viabilizar formas de captação de financiamento para investimentos ainda não equacionados em termos financeiros no RS. O Pelt pode ser um líder de funding junto às instituições financeiras nacionais e internacionais.

O Pelt pode representar de fato um ponto de inflexão no que se refere às obras de infraestrutura de transportes, no sentido de priorizar premissas técnicas em lugar de decisões políticas e eleitoreiras?

Certamente, daí o fato de o  defendermos como um mecanismo de lei a ser efetivado e institucionalizado. Estamos de pleno acordo com presidente Busnello que não seguir o Pelt possa até caracterizar improbidade administrativa. Aí também entra a inteligência do processo de construção do estudo, não como um documento estático e de prateleira, mas sim como um sistema de gestão que pode e deve ser permanentemente atualizado em função das demandas e oportunidades que venham a ser construídas no RS. Meu entendimento na condição de presidente do Fórum, é que as entidades da área de desenvolvimento e de tecnologia do estado, setor privado, devam se mobilizar, buscar um parlamentar com conhecimento do setor, o qual possa apresentar oficialmente um projeto de lei na Assembleia Legislativo que torne este mecanismo técnico de gestão, também um instrumento normativo dos investimentos do estado em infraestrutura, na busca de uma excelência e eficácia, o que estamos ainda distantes, pois somos quase 90% dependentes em termos de logística do modal rodoviário, uma não conformidade óbvia e absoluta que precisa ser sanada. A forma de construir esta solução é seguir o Pelt e buscar o reequilíbrio dos modais dentro do conceito de uso otimizado de acordo com as características de cada riqueza gerada e produzida no Estado, para que a competitividade de mercado destas riquezas esteja dentro do patamar de custo logístico internacional que é próximo dos 10%, aqui praticamos quase o dobro, em razão do não equilíbrio de nossa estrutura modal de transportes.

 

 

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