Para o senador Lasier Martins, greve dos caminhoneiros deve acelerar os investimentos em ferrovias e hidrovias

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Plenário do Senado durante sessão deliberativa ordinária. Em discurso, senador Lasier Martins (PDT-RS). Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

Austeridade com o gasto público e responsabilidade na escolha das prioridades deveriam ser os critérios principais de uma plataforma de governo no Brasil, defende o senador Lasier Martins (PSD-RS),  ao apontar os investimentos em infraestrutura como um dos caminhos do desenvolvimento e da competitividade do país.

Em declarações à Modal, ele cita o episódio recente da greve dos caminhoneiros como “o mais estrondoso alerta contra o monopólio do transporte por rodovias no país”, e sugere que isso deve acelerar o processo de diversificação da matriz de transportes em direção aos modais ferroviário e hidroviário. “Nesse momento de definições no cenário político nacional, é imprescindível que esses temas sejam discutidos por todos”, sustenta o senador.
Acompanhe, a seguir, a entrevista completa:

Qual o foco de sua atuação no Senado na área de infraestrutura e logística?

Como membro da Comissão de Infraestrutura do Senado Federal, tenho dedicado especial atenção a esses temas. Neste momento, tenho focado minha atuação no sentido de encontrar formas de dinamizar o processo de diversificação dos modais de transporte, sobretudo o ferroviário, que no meu entendimento pode ser uma excelente alternativa para o escoamento da produção, devido ao seu baixo custo de manutenção e maior capacidade de carga, por exemplo.

Quais suas conclusões sobre o debate que analisou o modal ferroviário na Comissão de Infraestrutura? Alguma ação política em vista?

As conclusões daquela audiência vieram ao encontro do que já desconfiávamos: o Brasil sofre com a falta de alternativas de modais de transporte. No caso do modal ferroviário, vimos que o enfoque exclusivo dos governos passados ao sistema rodoviário que engloba  64% do transporte,  inviabilizou quase que completamente a malha ferroviária existente no país. Para resolver isso, seria necessária uma visão política de estadista que, de fato, coloque esses investimentos em ferrovias como uma prioridade nacional. Isso deveria ser política de Estado e não de governo.

 Além do modal ferroviário, o modal hidroviário, apesar de sua potencialidade, também é pouco expressivo com uma participação em torno de 1% na matriz de transporte e de 9% em cabotagem. Qual a sua ideia a respeito?

O modal hidroviário também é uma potencialidade inexplorada no Brasil. Com uma mudança de cultura política sobre a necessidade de equilibrar essas diferenças entre os modais, poderemos ter uma maior utilização desse sistema.

 O Brasil  aplicou menos de 1,5% do PIB em infraestrutura em 2017, abaixo da série histórica de 2,1%. Qual a sua receita para avançar nos investimentos no setor?

As dificuldades orçamentárias da União são conhecidas e não vêm de hoje. De novo, o que existe é falta de prioridades nos investimentos, sobretudo na infraestrutura, que tem capacidade de ampliar a geração de empregos e arrecadação de impostos nas grandes obras tocadas pelo governo. Por outro lado, têm se buscado outras formas de buscar os investimentos necessários para o setor, como, por exemplo, a prorrogação antecipada de algumas concessões ferroviárias, que podem gerar um investimento, por parte do setor privado, da ordem de R$ 26 bilhões. Enfim, não há uma receita mágica, mas austeridade com o gasto público e responsabilidade na escolha das prioridades deveriam ser os critérios principais.

O RS sofreu uma brusca queda de investimentos em nível federal que afetou de forma drástica os cronogramas de obras da nova ponte do Guaíba e da BR-116, duas obras vitais para o estado. Qual a possibilidade de a bancada gaúcha pressionar por um volume maior de recursos para essas obras ainda neste ano?

Em 2016, batalhei junto com a bancada gaúcha no Congresso Nacional pela liberação de recursos para a retomada das obras da ponte do Guaíba e conseguimos a liberação de R$ 100 milhões. E em maio deste ano, fizemos uma grande mobilização em relação a BR-116, obtendo o compromisso do governo pela liberação de mais verbas. De fato, a escassez de recursos federais tem comprometido o bom andamento desses projetos vitais para o Rio Grande do Sul. Da minha parte, continuarei pressionando pela liberação regular de recursos para essas obras, e acredito que a bancada gaúcha também o fará.

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