Pesquisa da CNT mostra que as rodovias do RS estão entre as piores do país

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A atual situação das rodovias do Rio Grande do Sul coloca o estado entre os piores do país, segundo pesquisa divulgada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), divulgada em 5 de novembro. Hoje 73,6% das estradas gaúchas são consideradas regulares, ruins e péssimas. Apenas 23,5% foram avaliadas como boas e ótimas.
Custo operacional
Devido às condições das estradas, esse quadro gera um incremento no custo operacional do transportador, no RS, de 36,6%, muito acima da média nacional de 28,8%. Na região Sul, o Paraná, com 22,1%, é o estado de menor custo operacional adicional, seguido por Santa Catarina, com 28,6%.  Além do efeito negativo para o meio ambiente, as más condições das rodovias provocam aumento no consumo do combustível, além do desgaste de pneus e outros componentes, sem falar em acidentes e hospitalizações.
Demanda reprimida na conservação de rodovias gaúchas é de R$ 6,24 bilhões 
De acordo com a economista Priscila Santiago, da CNT, apenas para recuperar as estradas gaúchas, que não apresentam condições de segurança aos motoristas, seria necessário um investimento de cerca de R$ 6,24 bilhões.
Dnit e Daer reduzem investimentos
Tanto o Dnit, em nível federal, como o Daer, no estado, reduziram de forma significativa os seus investimentos, comparativamente ao ano anterior, o que se deve à crise fiscal. Em 2014, o Dnit investiu perto de R$ 1 bilhão, no estado, e chegou a prever, no início do ano, um investimento de cerca de R$ 600 milhões. Até setembro, entretanto, a autarquia aplicou tão somente R$ 246 milhões, enquanto o Daer investiu apenas R$ 155 milhões. “Não há como recuperar as rodovias se não for feita uma manutenção constante”, diz Priscila. “Se não houver esses investimentos, a situação das rodovias deve agravar-se”, completa. Isso significa o aumento dos custos logísticos do estado, com prejuízos para os exportadores e a economia em geral.
Valor médio aplicado é inferior ao necessário
A falta de manutenção adequada é apontada pela CNT como o principal fator responsável pelo estado geral das rodovias no país. O valor médio aplicado na manutenção, de R$ 165 mil por quilômetro, é menos do que o necessário estimado em R$ 250 mil por quilômetro, aponta o estudo da CNT.  “Nossas rodovias foram planejadas há cerca de 40 anos e, por isso, não previam em seus projetos o fluxo atual de veículos de cargas”, observa a economista. “Além da falta de manutenção, a ausência de intervenções para a adequação da infraestrutura aos novos veículos de maior capacidade de carga agrava a situação”, acrescenta.
57,3% das principais rodovias do país têm deficiência
Segundo a pesquisa 57,3% das principais rodovias do país têm alguma deficiência. O levantamento avaliou mais de 100 mil quilômetros de rodovias, incluindo toda a malha federal e os principais trechos de rodovias estaduais pavimentadas.    Em números sobre o estado geral, 22,4% das vias foram avaliadas como ruins ou péssimas: 6,3% das em péssimo estado; e 16,1% em estado ruim. Outras 34,9% foram classificadas como regular. A análise indicou que 42,7% estavam em condições adequadas de segurança e desempenho, com classificação de ótimo (12,5%) ou bom (30,2%).
Falta de qualidade gera perdas de R$ 46,8 bilhões
 Devido à falta de qualidade das rodovias nacionais, o país sofreu uma perda estimada em cerca de R$ 46,8 bilhões somente em 2014, cálculo que inclui acidentes e hospitalizações, estima  a CNT. Em contrapartida, ao considerar a hipótese de investimentos adequados em manutenção de estradas, a entidade estimou um ganho de 25,8% no custo operacional.
Rodovias concedidas estão entre as melhores do país
  Na comparação entre as estradas públicas e as concedidas, a pesquisa da CNT constatou um índice de 31,4% de bom e ótimo,  nas primeiras, e de 78,3% nas segundas. Enquanto o poder público aplica R$ 165 mil por rodovia por quilômetro, ao ano, as concessionárias investem R$ 422 mil.  O custo operacional das públicas é estimado em 29,3%. No caso das concessões, ele é de 11,3%. Das 20 melhores estradas do país, consideradas pela pesquisa, todas são de concessões, das quais 19 em São Paulo e uma no Rio de Janeiro.  A Pesquisa CNT de Rodovias está na sua 19ª edição. O estudo leva em conta as condições do pavimento, da sinalização e da geometria da via, além de apontar os pontos críticos dos trechos.

 

 

 

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