Plano Estadual de Logística mostra que o RS aumentou a dependência do modal rodoviário

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Luiz Afonso Senna na apresentação do Pelt-RS/ Divulgação Palácio Piratini

O Plano Estadual de Logística do Rio Grande do Sul (Pelt-RS), apresentado nesta quinta feira no Galpão Crioulo do Palácio Piratini, revelou que, em 2017,  a participação do modal rodoviário na matriz de transportes do Rio Grande do Sul alcançou um total de 88%, o que representou um incremento de três pontos percentuais em comparação a 2005, último dado disponível. Já o modal ferroviário, que detinha uma participação de 8,8%, regrediu para apenas 6%. O hidroviário, de sua parte, caiu de 3,7% para 3%.
Especialistas

A grande dependência do modal rodoviário e a má qualidade da infraestrutura viária afetam drasticamente a competitividade do estado e aumentam o custo operacional do transporte, afirmou o professor Luiz Afonso dos Santos Senna, coordenador geral do Consórcio STE, Dynatest, SD Engenharia, responsável pela elaboração do Pelt-RS, que teve como coordenador executivo o engenheiro Sérgio Klein e uma esquipe de 29 especialistas em modais de transportes. Os trabalhos foram contratados  por meio de recursos do Pró-Redes do Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (Bird) no final de 2013.
Metodologia

A metodologia se utilizou de dados captados pelo  software TransCAD – ferramenta de geoprocessamento e planejamento de transportes em que toda a infraestrutura estadual está consolidada. “Fizemos uma análise do sistema atual, como a configuração da rede logística e a oferta de transporte, e a partir disso foram feitas simulações para se estimar as necessidades da demanda de pessoas e de produtos de mobilidade para identificar os gargalos”, explicou Senna. “Dessa forma foi possível fazer prospecções sobre cenários futuros, com base na modelagem do ano de 2014, e gerar um plano de ação”.
Desenvolvimento logístico

Além de fornecer o diagnóstico atual, o Pelt-RS deverá orientar o desenvolvimento logístico do estado para os próximos 25 anos (com data base de 2014), definindo estratégias de intervenção pública e privada no setor com o objetivo de fomentar o seu desenvolvimento. Ao total foram identificadas necessidades de investimentos nos modais rodo, ferro e hidroviário de R$ 34 bilhões no horizonte de até 2019. Em curtíssimo prazo cabe ao governo viabilizar R$ 164 milhões para as hidrovias e terminais hidroviários e R$ 2,3 bilhões para rodovias estaduais.
PPP e concessões

Por meio de PPP e de concessões, o estudo mostra a necessidade de atrair investimentos de até R$ 11,3 bilhões em rodovias estaduais no período 2018-2019, de acordo com portfólio apresentado pelo Pelt-RS. Além desses recursos, o Pelt-RS aponta a necessidade de prever dotações para a rede estadual de transporte atual, buscando aumentar o orçamento do Daer e demais órgãos estaduais que atuam no setor. Entre as fontes de financiamento são elencados os recursos do Tesouro do Estado, empréstimo junto a organismo de fomento, como BID, Bird, CAF e BNDES e recursos de pedágio.

Em seu pronunciamento, secretário dos Transportes Pedro Westphalen afirmou que nos últimos três anos o estado avançou muito. “ Quando passamos a ser governo, os problemas passaram a ser os nossos problemas. E tivemos a grata felicidade de ter um quadro de funcionários da secretaria, do departamento aeroportuário, Daer, EGR, e outros órgãos, que se comprometeu com todas as dificuldades e continuarão avançando”.
Política pública

Vicente de Britto Pereira, assessor da Secretaria dos Transportes, ao comentar a apresentação  do Pelt, afirmou que a atividade de política pública é de suma importância, porque se insere dentro de um plano de médio e longo prazo. Não trata apenas de um governo, mas do estado no sentido de nortear as ações de uma determinada área, o que deve ser consolidado o máximo possível em suas diretrizes básicas. “Por isso, o Pelt-RS é importante. O próprio governo está dando uma  demonstração de politica pública de estado ao absorver uma contratação  que foi feita no governo passado. E isso é um fato importante. Este governo encarou o Pelt encarou como politica publica de estado e  poderá resultar em um instrumento eficaz de desenvolvimento da economia gaúcha, principalmente no setor de infraestrutura.”
Custo logístico

De acordo com projeções do Banco Mundial, o custo logístico do Brasil – que engloba transporte, estoque e armazenagem – chega a 15,4% do Produto Interno Bruto (PIB). Outras fontes asseguram uma colocação ainda pior, em torno de 17% do PIB, e no Rio Grande do Sul chegaria a 18% do PIB estadual (dados de 2010).

Segundo o estudo Sul Competitivo, o custo logístico de transportes deverá passar de R$ 47,8 bilhões em 2020. Esses valores representam a soma de custos, como frete, pedágio e taxas de terminais.

 

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