Plataformas cognitivas estão transformando o modo de fazer negócios

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No filme “2001 – Uma Odisseia no Espaço”, dirigido e produzido por Stanley Kubrick, em 1968, um dos personagens principais da Missão Júpiter é o supercomputador HAL 9000. Dotado de inteligência artificial, ele é responsável pelo comando da nave Discovery. HAL fala com os tripulantes e tem emoções, como medo, ódio e inveja. Pois boa parte dessa imaginação criativa está muito próxima de virar realidade tamanho os avançados no desenvolvimento de plataformas que utilizam inteligência artificial aplicada no mundo dos negócios, na saúde e no entretenimento, entre outras.

Marcelo Porto, presidente da IBM Brasil disse em recente palestra na Federasul, que 70% dos CEOs estão preocupados com as plataformas aumentadas – ele não usa o termo inteligência artificial – porque o modelo de crescimento linear não se sustenta diante do crescimento exponencial baseado nas plataformas cognitivas. “O modelo de negócio do ano 2000 é diferente do de 2007 e será diferente daqui para a frente, e isso atingirá todos os segmentos. Todos”, complementou. “O que a gente faz hoje já não é mais o suficiente”, alertou.

De acordo com ele, as novas plataformas são capazes de traçar a personalidade de uma pessoa apenas observando o modo como ela escreve numa folha de papel. A IBM já usa a computação cognitiva na Pinacoteca de São Paulo. Na chegada, cada visitante recebe um smartphone com fone de ouvido e o aplicativo do projeto instalado no aparelho. As pessoas são estimuladas a fazer perguntas sobre a obra que estiver mais próxima. Toda a interação é realizada por áudio e voz. “Você faz qualquer pergunta e o computador responde todas”, diz Porto.

A computação cognitiva é considerada a Terceira Era Computacional, cujo maior objetivo é aumentar a capacidade cognitiva do ser humano. Seus sistemas reproduzem com certa semelhança a forma humana de pensar, interagir e aprender, extraindo conhecimento de dados não-estruturados – com fontes e formatos distintos como textos, imagens e vídeos. Os insights gerados podem contribuir para a solução de problemas complexos da humanidade e das empresas.

Segundo Marcelo Porto, diariamente são gerados 2,5 quintilhões (10¹⁸) de bytes de dados, sendo que 80% desse volume não são estruturados. Como processar estas informações? Ele dá outro exemplo: como saber o que há de comum nas músicas e letras de canções que fizeram sucesso nas décadas de 70 e 80? “Aqui entra a plataforma cognitiva. Ela pode ser aplicada no estudo da genética, no transporte de contêineres. “Todos os negócios são transformados pelas plataformas cognitivas. Não há setor livre de invasores digitais”, disse, devido ao avanço em busca de crescimento exponencial.

Uma curiosidade no filme de 1968, é que cada letra de HAL corresponde exatamente uma anterior às letras de IBM. Um dos significados para a sigla HAL é “Heuristic ALgoritmic”. O fato é que a IBM emprestou seus conhecimentos durante as filmagens.

A Ford vai investir US$ 100 milhões na Argo AI, uma empresa de IA com a qual pretende desenvolver sistema de condução virtual para veículos autónomos. Esse investimento será feito ao longo dos próximos cinco anos. A Argo foi fundada por antigos responsáveis da Google e da Uber.

Os terminais da Hong Kong Air Cargo estão usando plataformas para tratar e processar cada carga que chega e parte nas diversas aeronaves.

A Kopenhagen e a Brasil Cacau investiram para que nenhum ovo de Páscoa faltasse ou sobrasse em suas lojas. Elas contrataram a Tevec, que desenvolveu um software dotado de Inteligência Artificial que permite fazer análises e prever a demanda de consumidores para cada uma das lojas. Os estabelecimentos conseguem receber informações precisas para saber como gerir o estoque e evitar perdas ou desperdício.

Como se vê, o uso da IA no transporte e logística é desafiador.

Guilherme Arruda, jornalista.

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