Porto de Rio Grande negocia a atração de novas montadoras de veículos

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Foto: Raquel de Ávila Santos

Além da General Motors e da Renault, a Superintendência do Porto de Rio Grande está empenhada no projeto de atrair novas montadoras para o aproveitamento do pátio de uso público nas operações de importação e exportação de veículos. A informação é de Janir de Souza Branco, superintendente do porto, em entrevista à Modal. Contatos já foram feitos, mas os nomes dos futuros usuários são mantidos sob o mais absoluto sigilo. Questionado se o anúncio poderia acontecer ainda neste ano, Souza evitou fazer previsão.

A GM utiliza o porto de Rio Grande para o envio e recebimento de veículos do México e da Argentina. A Renault opera apenas na importação. A movimentação de veículos mais do que duplicou em relação ao ano passado. Entre janeiro e setembro deste ano, foram 28.065 unidades, ante 11.880 no ano passado, representando um aumento de 136,2%.  “Nossa gestão está alicerçada em três pilares: aumento da produtividade, novas cargas e novos projetos”, explica.

Janir de Souza Branco Foto: Divulgação
Janir de Souza Branco
Foto: Divulgação

Indústrias perto dos rios

Outra frente de trabalho é o interesse em levar indústrias para próximo dos portos, uma antiga reivindicação do setor privado. “Estamos conseguindo a liberação de áreas entre a ponte do Guaíba e a Arena do Grêmio, que ficarão disponíveis para ocupação”, disse à Revista Modal. Janir Branco admitiu a possibilidade de um novo terminal de contêiner na área onde está o canteiro de obras da Queiroz Galvão, responsável pela construção da segunda ponte sobre o Guaíba. “Não há nada de concreto sobre isso”, faz questão de ressaltar.

De acordo com informações da Antaq (Agência Nacional de Transporte Aquaviário), o Rio Grande do Sul possui atualmente 16 TUPs (Terminais de Uso Privativo) em operação. O superintendente do porto de Rio Grande adianta que tem planos para a área ao norte do Tecon de Rio Grande, onde seria instalado o estaleiro da Wilson Sons. “Imaginando fazer ali um terminal para graneis, em função dos volumes”, adiantou.

Dragagem de Rio Grande

A expectativa de movimentação total em Rio Grande para este ano é de 40 milhões de toneladas. No ano passado foram 38,7 milhões. Este crescimento se deve, segundo Janir, ao fato de que parte dos produtores permanecem com estoque de soja de cerca de seis milhões. “Eles aguardam a melhor oportunidade para comercializa o grão”, explica. Em 2016, das 16 milhões de toneladas colhidas no estado, 14 milhões passaram pelo porto gaúcho.

Janir Branco se mostra preocupado com a demora na emissão da licença ambiental pelo Ibama para dar início a dragagem e tem intercedido diretamente em Brasília para agilizar os trâmites. Na outra ponta, ele tem recebido fortes sinalizações de armadores sobre as condições de navegabilidade para próxima safra de soja, que começa a ser exportada a partir de março de 2018. A morosidade, segundo ele, deve-se à falta de sintonia entre o Ministério do Transporte e o Ibama na interpretação de alguns pontos – estes itens já foram equacionados.

Superávit vai para o “caixa único”

A superintendência obteve, entre janeiro e setembro deste ano, um superávit de R$ 25 milhões. A receita da autarquia é composta por diversas tarifas portuárias, contratos de arrendamento de áreas e também pela movimentação do complexo. De 2015 até setembro de 2017, já são mais de R$ 70 milhões de superávit. Até setembro, a autarquia arrecadou R$ 98 milhões e teve uma despesa de R$ 72,5 milhões.

O aumento da receita tem a ver com o reajuste na cobrança das tarifas nos acessos aquaviários, escalonado para evitar impacto grande, combinado com os agentes, porque a crise estava invadindo o estado. O impacto das receitas aconteceu em 2016, com 15% de reajuste a partir de 1º de janeiro e de 12,1% a partir de 1º de julho. Grande parte das receitas (85%) vem da cobrança das tarifas e arrendamento. Uma pequena fração é com armazenagem.

Com poucos recursos disponíveis que possui para investir – o superávit entra direto no caixa único do estado – Janir Branco diz ter feito algumas melhorias, citando a dragagens nas cais Navegantes, em Porto Alegre, para aperfeiçoar a navegabilidade. “Nosso foco é a fiscalização dos contratos da operação portuária, dos terminais arrendados (contêineres e graneis e petroquímicos), além de fazer o acompanhamento dos TUPs, da sinalização náutica, reposição e balizamento”, relatou.

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