Risco de apagão no armazenamento de grãos no RS é iminente

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Crédito: Divulgação

Até o próximo dia 20 de maio, o empresário Valdir José Nunes Santana Marques, dono da Grão Fortte, uma corretora de grãos, de Ibirubá (norte do estado), precisa enviar 3 mil toneladas de soja para o porto de Rio Grande. Ele está apreensivo. Semana passada recebeu da administração portuária comunicado indicando a abertura de uma cota de 40 toneladas. Cota pode ser traduzido como espaço para receber o grão. Se esse ritmo de 40 toneladas for mantido, ele precisará de 70 dias para completar o despacho das 3 mil toneladas.

Segundo Valdir, não há mais espaço para estocagem em Rio Grande, os armazéns estão tomados há pelo menos dez dias devido ao fluxo crescente de escoamento da safra de grãos 2018. Para agravar, a movimentação é lenta dentro dos portões do porto gaúcho. “Entra mais de um lado e sai menos do outro”, resume o empresário. Navios de grande porte que poderiam acelerar os embarques sofrem restrições para entrar em Rio Grande e quando atracam, penam para sair. Muitos são obrigados a esperar a mudança da maré por causa do calado, o que pode levar até dois dias. Resultado: as operações estão sendo feitas com navios de baixa capacidade.

Apenas 47% da soja é armazenada no campo

São cenas já conhecidas, repetidas diversas vezes na última década. Na época em que Rio Grande exportava 8 milhões de toneladas de soja por ano, a estrutura portuária suportava as operações e garantia até uma certa eficiência, mas no decorrer dos anos, sem investimentos e com o aumento gradativo do volume, a situação piorou, atingindo os níveis insuportáveis.

Para piorar mais o quadro, apenas 47% da soja produzida em solo gaúcho é armazenada no campo. De acordo com o IBGE, a produção de soja em 2017 foi de 18,744 milhões de toneladas, das quais 8,857 milhões de toneladas eram conservadas em armazéns e silos.  “Considerando o total da safra do ano passado, 50% do estoque estava em poder da iniciativa privada, 42% nas cooperativas e 7% em empresas de economia mista”, informa Ruy Silveira Neto, economista do Sistema Farsul.

Frete rodoviário afeta rentabilidade

“Estamos falando do risco de um apagão na armazenagem”, alerta Luis Fernando Fucks, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja no Rio Grande do Sul (Aprosoja-RS), lembrando que ainda restam estoques de milho e trigo em poder dos produtores. A morosidade no embarque da soja em Rio Grande já está impactando na rentabilidade do produtor em função da elevação do valor do frete rodoviário. “De R$ 6,50 já pulou para R$ 8,50”, diz Fucks. “É 10% do valor da saca”, complementa.

As ferrovias poderiam ser a solução, mas as linhas são ineficazes. “Eles trouxeram vagões que são verdadeiros cacos velhos, abandonaram as linhas, agora só se vê mato, não vê mais os dormentes”, exclama o dirigente, referindo-se a operadora Rumo. “Fiz alguns cálculos e constatei que se tivessem colocado um posto em Giruá, parte da soja, trigo e mais calcário e adubo daquela região movimentaria 4 mil vagões por ano até Rio Grande. Estamos falando de R$ 130 milhões em frete. Como é que não se viabiliza”, questiona.

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