RS ganhará uma das maiores obras de logística dos últimos anos

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ERS-118/Foto/ Divulgação Sultepa

Uma das maiores obras de logística dos últimos anos no Rio Grande do Sul está muito perto de sua conclusão. Com investimentos estimados em R$ 150 milhões, com recursos do Tesouro Estadual, a duplicação da ERS-118, de 21,4 quilômetros, cuja extensão passa por quatro municípios – Sapucaia, Esteio, Cachoeirinha e Gravataí – deverá contribuir sobremaneira para o desenvolvimento de um novo polo industrial, além de representar um novo caminho em direção às rodovias federais 448 e a 386.
Força-tarefa
Ricardo Portella, presidente do Sindicato da Construção de Estradas, Pavimentação e Obras de Terraplenagem (Sicepot-RS), destaca o papel desempenhado pela força-tarefa designada pelo governador Sartori, cujos atores mais destacados são o engenheiro Vicente de Britto Pereira, o diretor-geral do Daer, Rogério Uberti e sua equipe, além dos secretários Pedro Westphalen e Humberto Canuso e a equipe da Procuradoria Geral do Estado (PGE), que concluiu  aproximadamente 600 processos de reintegração de posse da faixa de domínio, para que as obras tivessem andamento. O último deles envolveu cerca de 300 endereços no último lote, entre os km 0 e 5, em Sapucaia do Sul.
Uma obra de grande complexidade
Uma obra difícil, de grande complexidade, a duplicação da ERS-118 é formada por quatro vias de cada lado (duplicação e restauração), mais acostamento – o que representa 88 quilômetros em linha reta -, cinco viadutos, três pontes, elevação de outro viaduto, além da transposição do poliduto da Transpetro.

Não bastasse a necessária agilidade para a simultaneidade das obras de arte, ao estado coube a tarefa de remover cerca de 800 famílias das margens da rodovia e garantir as respectivas moradias. Para complicar, várias dessas famílias retornaram e tiveram de ser removidas novamente, tendo havido ainda um número significativo de processos de reintegração de posse.
Destrinchando o imbróglio

Foi numa sala pequena do sétimo andar do Centro Administrativo Fernando Ferrari, onde está instalada a Secretaria dos Transportes (RS), que, no primeiro semestre de 2015, o engenheiro Britto Pereira começou a destrinchar o que era considerado um imbróglio que já havia passado por uma série sucessiva de governos sem nunca ter sido resolvido.

Licitada pela primeira vez em 1970 quando a C.R. Almeida assumiu a empreitada sem ter chegado ao fim, ela passou por várias tentativas de execução. Em 1996, o governo Antônio Britto lançou um novo projeto de duplicação que somente em 2002, no governo Olívio Dutra, teve seu edital de licitação lançado.  A iniciativa, entretanto, não foi adiante. Em 2005, a obra fez parte do projeto do Anel Rodoviário Metropolitano, denominado Polão, que, depois de licitado, foi anulado pelo Ministério dos Transportes daquele período.

Nos governos Germano Rigotto (2003-2006) e de Yeda Crusius ( 2007-2010) , ela foi relicitada, mas diante de dificuldades dos construtores essas licitações acabaram anuladas pela administração de José Sartori, com exceção do lote 2, do quilômetro 5 a 11, vencido pela Sultepa.
ERS-118, um caso extraordinário

De acordo com Pereira, a estrada apresentava quilômetros de trechos duplicados sem estar interligados, além de buracos e rachaduras inclusive nos trechos duplicados pelas licitações que acabaram anuladas.  “A ERS-118 era um caso extraordinário de tentativa de fazer uma duplicação sem projeto”, narra Pereira. “Na verdade, nunca houve a intenção de duplicar a estrada, porque fazer uma duplicação ou uma obra qualquer sem projeto, sem projeto de pistas laterais, de viadutos e de passarelas, de desapropriações e sem conter as invasões, ela não sai.” Até mesmo a pista antiga teve de ser refeita do quilômetro 11 ao 21, que implicou uma solução técnica orientada  pelos professores Jorge Augusto Pereira Ceratti, da Faculdade de Engenharia da UFRGS, e do especialista Guillermo Alfonso Thenouse Zeballos,  da Universidade Católica do Chile.
Os entraves interligados
A alternativa sugerida envolveu a importação dos Estados Unidos de um  dispositivo  que permite a fratura apenas da placa de concreto nos 20 centímetros estabelecidos, uma metodologia aplicada de forma inédita no Brasil. Outra ação foi no sentido de criar um grupo de trabalho específico para resolver os entraves provocados pelas invasões e reintegração de posse.  Devido às dificuldades do processo, ao Daer coube contratar uma empresa especializada para fazer a remoção das famílias do local. “O fato é que nunca houve uma tentativa séria de se resolver todos os entraves interligados que dificultavam a execução de uma das obras, seguramente, das mais problemáticas que tenho conhecimento”, avalia Pereira.

A última licitação para os serviços entre os quilômetros 0 e 5 da rodovia teve como empresa vencedora a Toniolo Busnello S.A.. Os demais lotes, dos quilômetros 5 ao 11 e do 11 ao 22,4, foram vencidos pela Sultepa. Até o final do ano, a previsão é de que pelo menos 90% das obras físicas serão concluídas.

 

 

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