Vinhos 100% produzidos com energia solar pela Guatambu recebem o Selo Solar

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Energia Solar - Painéis Vinícola Guatambu Crédito: Alexandre Teixeira

A Vinícola Guatambu, de Dom Pedrito, investiu R$ 1,5 milhão na montagem de um parque solar com 600 placas fotovoltaicas, que ocupa parte do estacionamento. Fora as vantagens típicas obtidas com esta fonte alternativa, como estender o abastecimento de energia para todas as etapas de vinificação e bombeamento do sistema de irrigação, proporcionando economia de 90% nos gastos com energia elétrica, a aposta da direção também está nos ganhos intangíveis. Afinal, a Guatambu torna-se a primeira vinícola da América do Sul a colocar no mercado vinhos produzidos 100% com energia renovável.

Este feito já estampa os rótulos. Nesta terça-feira (15/08), durante o I Fórum de Geração Distribuída de Energia com Fontes Renováveis no RS, realizado na FIERGS, o sócio diretor da Guatambu, Valter José Pötter, recebeu o Selo Solar concedido pelo IDEAL – Instituto para o Desenvolvimento de Energias Alternativas na América Latina, em parceria com a CCEE – Câmara de Comercialização de Energia Elétrica, da WWF Brasil e do Banco Alemão de Desenvolvimento (KfW). O Selo é concedido para empresas, instituições (públicas e privadas) e proprietários de edificações que consumam um valor mínimo anual de eletricidade solar por meio de sistemas fotovoltaicos conectados à rede ou por meio da contratação de energia no mercado livre.

Ventos incertos

Para chegar neste estágio foram necessários cinco anos. A primeira opção, em 2011, foi pela energia eólica, pelas evidências da região. “O ano marca o início do nosso foco em inovação e sustentabilidade, que trata de questões como uso de material de construção, resíduos, luminosidade natural, agua”, faz questão de lembrar Valter Pötter. Foi feito um convênio com o Departamento de Engenharia da PUC para estudar os ventos da região, mas após 18 meses constatou-se pela não viabilidade do projeto.

“Fomos para a energia solar iniciando com um projeto piloto de 18 placas, sempre em bases concretas, buscando informações sobre temperatura, reações ao calor e as geadas. Foram dois anos e meio de pesquisas”, conta o empresário de 69 anos. A decisão de investir definitivamente no projeto aconteceu no final de 2015 e em maio passado foi concluída toda a instalação. Em sete meses de funcionamento o sistema gerou 125 mil quilowatts hora, média de 17,8 mil quilowatts hora.

Vinícola boutique

Pötter espera recuperar o investimento direto (quilowatt/dinheiro) em oito anos, mas está convicto de que o ganho de mercado do vinho vai ajudar a encurtar este prazo. Do total investido, 70% foram bancados com recursos próprios e o restante junto à Caixa Econômica Federal. “Hoje é possível fazer o mesmo projeto com R$ 1 milhão”, compara.

A Guatambu é considerada uma vinícola boutique, com produção de 150 mil garrafas anuais e 24 hectares de vinhedos próprios. Seus vinhos estão presentes em lugares sofisticados, entre os quais o Copacabana Palace, Sheraton e nos restaurantes do chef Alex Atala e Olivier Anquier.  Fora isso, cinco mil pessoas visitam suas instalações todos os anos.

Por Guilherme Arruda / Credito da foto Alexandre Teixeira

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