Copel sai na frente em modernização e acelera avanço da GD no Paraná

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Daniel Slaviero, presidente da Copel: A Copel quer ter a melhor energia, com a rede mais segura e moderna do país

Sexto lugar no ranking de GD dos estados com uma potência instalada de 285,12 MW, segundo a ABGD, o Paraná deverá receber um forte acréscimo na produção de energia nesse segmento a partir  de uma chamada pública da Copel, aberta até 16 de fevereiro, para produtores independentes, de pequeno e médio porte, incluindo minigeradores,  em um projeto-piloto para a contratação de até 50 MW médios de energia nessa modalidade, equivalente a 438 mil MWh/ano – exatos 1,9% da  carga anual da estatal.

Para vender à Copel, os autogeradores terão de constituir uma microrrede – um sistema elétrico independente, que funciona como uma “ilha de energia”, integrando geração, armazenamento. Estes autogeradores poderão vender a energia gerada para a Copel e  abastecer um grupo de consumidores próximos. Eles também deverão estar inseridos em uma das 32 macrorregiões listadas no Estado. A companhia ficará responsável pelo controle e segurança da operação.

O programa piloto servirá para testar o modelo e auxiliará a Copel em casos de contingência, diante de eventuais falhas no circuito normal. A autorização da Aneel para a chamada pública é denominada sandbox regulatório . Nessa regra, a duração e as condições são previamente delimitadas para que os agentes do setor possam pôr em prática as inovações.

O público-alvo do programa é formado por produtores independentes de energia de baixa e média potência e também CGHs, PCHs e CGTs, entre outras fontes.

Presidente da Electra Participações, o empresário Valmor Alves informou que o tema chegou a ser debatido com o governador Carlos Massa Ratinho Júnior, ainda no período pré-eleitoral, quando foi lhe demonstrado que a Copel está habilitada a contratar até 10% de energia em leilões próprios, o que poderia evitar situações que acarretaram perdas de produção devido à falta de energia elétrica.

“Tivemos uma reunião de vários atores do setor com o então candidato, quando foram lembradas as perdas na produção de frango em determinadas regiões, devido à falha no sistema elétrico”, contou Alves a MODAL. “ Da mesma forma, foi perdida a produção de tilápias de um criador em outra região.”

Ele acrescentou  que a iniciativa da Copel irá gerar vários benefícios, não somente ao governo do Estado e à própria empresa, mas também aos produtores do agronegócio que ficarão melhores atendidos em termos de energia elétrica e igualmente aos produtores independentes de energia que poderão comercializar sua produção de biogás e abrir caminho para futuras CGHs e PCHs.

Segundo dados da GEF Biogás, o Paraná lidera a produção de biogás no sul do país com 16,4 milhões de Normal por metro cúbico (Nm³/ano), segundo dados apurados em 2019. A Região Oeste do estado detém a maior produção de proteínas originadas de suínos.

Carlos Evangelista, presidente da ABGD, em declarações a MODAL disse que o Paraná novamente sai a frente em termos de modernização,  uma vez que está estimulando a produção de energia próximo aos centros de carga, mitigando as perdas da transmissão, e concomitantemente se alinhando aos conceitos mundiais da transição energética.

Segundo ele, todas as concessionárias de energia do Brasil têm condições técnicas para conduzir projetos de microrredes em suas áreas de concessão.  “A iniciativa da Copel foi louvável e se destaca por se tratar de tema que ainda não possui regulamentação específica. No entanto, do ponto de vista técnico, é perfeitamente possível qualquer concessionária de energia coordenar e manter microrredes de autoprodutores de energia, trazendo diversos benefícios para o setor elétrico. Benefícios operacionais, técnicos, estratégicos, ambientais e sociais.”

Evangelista apontou que as consequências da falta de energia no estado do Amapá teriam sido muito menores se houvessem microrredes como a que a Copel está implementando no Paraná. Isso porque algumas regiões estariam funcionando isoladamente do sistema principal, abastecidas por microrredes de fontes renováveis de energia.

“Além disso, se parte de consumidores desse estado estivesse utilizando GD, com certeza a demanda de emergência que o Estado teve que suprir até normalizar o abastecimento, também teria sido muito menor.  O episódio pode servir de exemplo e motivação a mais para o Brasil acelerar seu ingresso na transição energética mundial, focando no prosumidor e na descentralização dos recursos energéticos.”

 

 

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