agPCH diz que desburocratização dos licenciamentos ambientais irá criar novo ciclo de investimentos em PCHs no RS

PCH Forquilha IV

Reeleito para mais um mandato à frente da Associação Gaúcha de Fomento às PCHs ( agPCH), o empresário Roberto Zuch está convicto de que com o apoio institucional e a desburocratização dos licenciamentos ambientais, o RS deverá reunir as variáveis necessárias para a implantação de uma política regional voltada para o desenvolvimento da geração hidráulica.

“Não necessitamos de investimentos públicos”, disse a MODAL. “Apenas que o estado tenha a capacidade de dar vazão aos processos de licenciamento”, acrescentou. “A partir daí, os investimentos virão de forma natural”.

Ciclo virtuoso
De fato, segundo levantamento do setor, o estado conta hoje com pelo menos R$ 6 bilhões de investimentos engatilhados somente na dependência de processos de licenciamento ambiental.  Uma vez destravados esses pedidos, o RS não somente ganharia um incremento em sua capacidade de geração, mas igualmente as condições necessárias para a reconstituição de sua cadeia produtiva que, no passado, chegou a ser considerada a mais completa entre os estados da federação.    “Criado esse ciclo virtuoso, a cadeia produtiva vem atrás”, pontuou Zuch.

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Roberto Zuch
Do ponto de vista dos investidores, Zuch afirma que existe um ambiente com vontade de empreender e investir no setor. “Apesar de todas as dificuldades e incertezas impostas pela pandemia, o nosso setor nunca tirou o pé do acelerador. Pelo contrário, muitos investidores de outros ramos de atividades procuram projetos de PCH’s e CGH’s para iniciar seus projetos em energia elétrica”.

A uma pergunta sobre os investimentos no setor hidráulico que o estado de Goiás vem atraindo, devido à agilidade do órgão ambiental, Zuch  observou que  exemplos bem sucedidos devem ser replicados. Todavia lembrou que representantes do setor de centrais hidrelétricas de Goiás estiveram em Porto Alegre justamente para acompanhar o diálogo que a agPCH iniciou com a Fepam e com a própria Secretaria de Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema-RS).

“Por méritos próprios, eles utilizaram o que fizemos de bom aqui no RS e conseguiram aprimorar, gerando resultados consistentes”, acrescentou. “Talvez a lição que tenhamos que aprender com eles é como transformar esse excelente relacionamento institucional que criamos e desenvolvemos com os nossos órgãos licenciadores, em efetivo avanço e diminuição dos prazos de licenciamento, ponto esse em que estamos trabalhando neste momento.”

Mas não é somente a questão ambiental que interfere nos investimentos, apontou o presidente da agPCH.  Segundo ele, um dos grandes desafios é a elevação dos custos dos insumos como o aço e o cimento. “Os custos com aquisição de terras também vem pesando na viabilidade de alguns empreendimentos. Por isso, a otimização do arranjo da usina  é cada vez mais é importante: não economizar com a engenharia e levantamentos na fase de projetos, pois os investimentos nessa etapa se refletem em ganhos muito maiores  ou evitam perdas que compensam em muito esses investimentos na fase de projeto.”

Sobre a mudança da precificação de energia elétrica que entrou em vigor neste ano, Zuch afirma que o novo PLD horário  fez os grande players do setor começarem a olhar com mais atenção para o RS, na medida em que muitos  estão extremamente concentrados em eólica no Nordeste.

“Esses players começarão a sentir dois problemas. O primeiro é o esgotamento das margens de transmissão, o que dificulta a expansão de novos empreendimentos na região”, observou. “Aqui no RS, enfrentamos isso nos últimos anos, e conseguimos solucionar recentemente. O segundo é o impacto do PLD horário nos empreendimentos eólicos do Nordeste que em grande maioria geram a maior parte da sua energia de madrugada em que o preço  é mais baixo e pode trazer impactos importantes no caso de muita exposição ao PLD e concentração de ativos de mesma característica.”

Olinto Silveira, CEO da Eletrisa, de Blumenau (SC), que irá investir R$ 200 milhões em seis usinas no Rio Grande do Sul, com 27 MW de potência total, afirmou que  “a iniciativa da agPCH é excelente e estimula os órgãos responsáveis a se planejar para melhor atender a demanda e agilizar a liberação se novos empreendimentos”.

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Olinto Silveira, CEO da Eletrisa

Ele acrescentou que recentemente deram entrada na Fepam mais de 60 novos processos de DTREAs e observou que “se não montarem uma força tarefa, grandes atrasos podem ser esperados, apesar da excelente evolução apresentada pelo órgão ambiental”.
“Há que se exaltar tanto a agPCH por sua prontidão em defender os interesses do setor, como a Fepam que sempre se  dispôs a ouvir e atender as  demandas de nosso setor”.

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