A infraestrutura disruptiva no RS:: A histórica oportunidade do Hyperloop

Luiz Afonso dos Santos Senna (*)

Ao propor o Hyperloop, uma tecnologia para mobilidade em alta velocidade, Elon Musk acionou um amplo mecanismo de pesquisa e inovação que hoje mobiliza pesquisadores e técnicos de universidades e empresas em todo o mundo. Desde 2013, data de publicação do texto referencial, tem sido produzido um número expressivo de artigos científicos sobre o tema em diversas áreas do conhecimento.

Porém, o mais impressionante é o fato que em menos de dez anos a ideia já está prestes a ter trechos comerciais operando, como em Abu Dhabi, onde uma linha inicial está sendo construída pela empresa Hyperloop TT. Pois esta mesma empresa, que vem liderando a corrida global para implementar a primeira linha comercial, firmou convênio com o Lastran-

Laboratório de Sistemas de Transportes da Escola de Engenharia da UFRGS e com o governo do estado para o desenvolvimento de um estudo de pré-viabilidade na rota Porto Alegre- Caxias do Sul, com estações em Novo Hamburgo e Gramado.

O Hyperloop funciona com tubos a vácuo, onde cápsulas se deslocam livre de resistência do ar ou atrito, sobre levitação magnética, transportando pessoas ou carga em alta velocidade. O sistema é inovação em seu sentido mais amplo, envolvendo aspectos tecnológicos de ponta e eficiência sistêmica na oferta de infraestrutura de mobilidade, com profundo impacto econômico, social e ambiental, induzindo desenvolvimento e gerando sua própria energia fotovoltaica.   O projeto é eminentemente privado, cabendo aos governos estadual e municipais apenas as aprovações e os licenciamentos exigidos de projetos de infraestrutura.

O estudo de pré-viabilidade desenvolvido pela UFRGS avaliou o impacto técnico, socioeconômico, financeiro e ambiental da implantação do Hyperloop no Rio Grande do Sul. Foram considerados aspectos da topografia da região e demais requisitos que permitiram definir o melhor traçado que maximizasse a velocidade simultaneamente com a redução de custos e plena observância das restrições socioambientais da região.

Os resultados do estudo mostram que o projeto impacta positivamente na sociedade do Rio Grande do Sul, ficando plenamente demonstrada a viabilidade econômica e financeira da implantação do projeto. Os investimentos (CAPEX) são de US$ 3,18 bilhões; os custos operacionais (OPEX) são de US$ 2,02 bilhões, os impostos US$ 2,52 bilhões, totalizando US$ 7,71 bilhões.

Entre os benefícios apurados, encontram-se a geração de mais de 50.000 empregos ao longo dos cinco anos de construção, 9 mil empregos anuais diretos e indiretos e efeito-renda ao longo dos 30 anos do projeto, 2 mil empregos anuais na indústria de energia solar, reduções significativas de tempos de viagens, acidentes e custos operacionais de veículos, valorização imobiliária e geração de impostos.

O Rio Grande do Sul está diante de uma oportunidade histórica, de repercussão mundial, de ser um pioneiro na implantação de um projeto disruptivo e inovador.

(*) PhD em transportes, Professor titular da Escola de Engenharia da UFRGS.

 

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