AEB prevê incremento de 30% nas exportações com o aumento da produtividade

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José Augusto de Castro, presidente da AEB Foto/Divulgação

Um incremento de 30% sobre o produto exportado é o que prevê José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), com a retomada dos índices de produtividade, um dos temas incluídos na agenda do Ministério da Economia. “É o nosso dever de casa”, afirmou o titular da entidade que foi reeleito em outubro do ano passado para o triênio 2018-2021.

Lembra Castro que, apesar de ocupar a oitava posição na economia mundial, o Brasil é o 26º exportador mundial, com 1,2% de participação, sendo que nos últimos dois anos o país avançou no comércio exterior apenas 0,1  ponto percentual. “A baixa produtividade é o principal empecilho ao crescimento do país no comércio internacional”, avalia. “Faz parte do chamado Custo Brasil que, entre outros efeitos, onera o custo logístico do setor produtivo e reduz a competitividade no mercado externo”.

Para Castro, a retomada da agenda da produtividade passa pela aprovação das reformas da Previdência e tributária, além da redução da burocracia. Uma vez equacionados esses desafios, o Brasil poderá se colocar no mercado internacional de uma forma mais competitiva, acrescenta.
Ponto-chave
Outro ponto-chave é a remoção das barreiras não-tarifárias o que também deve avançar por meio do Portal Único de Comércio Exterior, afirma.  No caso das exportações, a ferramenta já em vigor reduziu os atrasos de 13 para sete dias em média. E a expectativa é de que, nas importações, recue de 17 para nove dias. Ele concorda com Lucas Ferraz, secretário de Comércio Exterior do Ministério da Economia, que prevê uma economia de quase US$ 30 bilhões só com a redução de atraso no Brasil, a partir da inclusão das importações.

“Com o Portal haverá um corte de 5% dos custos burocráticos, na medida em que as atuais superposições serão eliminadas. Se o Brasil ganhar mais competitividade, o mundo pode se abrir para o setor de manufaturados que, no momento, só consegue exportar para os países da América Latina. Podemos ter acesso a mercados como os Estados Unidos, Europa e a China, mas precisamos seguir com a agenda das concessões e privatizações no âmbito da infraestrutura”, diz.

Em relação aos portos, Castro defende a privatização pura e simples das administrações, o que facilitaria a concorrência e diminuiria os custos. “Uma vez privatizados, portos ganharão autonomia para investir nas dragagens, que devem ser periódicas, e em melhorias de infraestrutura de armazenamento. O país ingressaria em um novo patamar na concorrência mundial”.
Projeções
Sobre as projeções da AEB para o superávit da balança comercial brasileira, Castro informou que na primeira semana de julho será divulgada uma revisão dos números divulgados em dezembro do ano passado de US$ 33,757 bilhões. “ Houve uma série de alterações em produtos de maior peso nas exportações, como soja, minérios, petróleo, carnes e açúcar de forma simultânea a um recuo das importações devido à recessão”, explicou. “Dessa forma, a tendência será de um superávit maior, em torno de US$ 40 bilhões, provocado sobretudo pela redução das importações”.

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