AEB projeta queda de 38,6% para o superávit da balança comercial brasileira em 2019

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José Augusto Castro, presidente da AEB/Foto/Divulgação

A Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) projeta uma queda de 38,6% para o superávit da balança comercial brasileira em 2019 e a expectativa é de que o saldo alcance a cifra de US$ 33,757 bilhões comparativamente com um superávit de US$ 54,951 bilhões estimados pela entidade para 2018.

A projeção da AEB é significativamente inferior àquela apresentada pela Confederação Nacional da Indústria, que projetou um saldo positivo de US$ 45 bilhões. O superávit da balança comercial projetado pela AEB envolveria  uma queda de 7,7% nas exportações, que totalizariam US$ 220,117 bilhões e uma ligeira alta de 2,1% nas exportações para US$ 186,360 bilhões, ambos em relação à estimativa feita para o presente ano.

Em relação a 2018, a  Associação prevê um saldo de US$ 54,951 bilhões (contra US$ 53 bilhões projetados pela CNI), com exportações atingindo a cifra de US$ 237,485 bilhões e importações no valor de US$ 182,534  bilhões.

Segundo o presidente da AEB, José Augusto de Castro, “um conjunto de indícios leva à dedução de que o mundo econômico pode reduzir seu rítmo de crescimento, com eventual impacto negativo direto sobre 65% das exportações do Brasil, representadas pelas commodities, e indiretamente sobre os manufaturados, resultando num a queda de 7,7% nas exportações e uma contração bem mais expressiva (38,6%) no superávit comercial brasileiro no próximo ano”.

Entre os indícios, José Augusto de Castro  menciona os seguintes: guerra comercial EUA x China, com sobretaxa aduaneira,  que eleva custo de importação, reduz demanda, provoca retração no fluxo comercial e queda nas cotações das commodities; eventual elevação das taxas de juros dos EUA, com aumento dos custos financeiros e redução dos níveis de comércio mundial; eventual elevação das taxas de juros dos EUA, e, em consequência, elevação dos custos financeiros e redução dos níveis de comércio mundial; queda lenta e contínua do PIB da China, com reflexos nas importações em geral e do Brasil em especial; e problemas na Argentina, igualmente contribuindo para a contração das exportações brasileiras para seu terceiro maior parceiro comercial.

Em seu documento “Projeção da Balança Comercial para 2019”, a AEB destaca as seguintes particularidades:
Em 2018 as exportações de soja vão superar 82 milhões de toneladas, graças à quebra de 17 milhões na safra da Argentina e à guerra comercial EUA x China, quadro que não deve se repetir em 2019, com os projetados 72 milhões de toneladas. No ano de 2017 foram 68 milhões de toneladas;

Em 2019, pelo quinto ano consecutivo, a soja continuará sendo o produto líder de exportação, com US$ 27 bilhões, mesmo com queda prevista no quantum e na cotação; A corrente de comércio projeta US$ 406,477 bilhões para 2019 e significará queda de 3,2% sobre a estimativa de US$ 420,019 bilhões para 2018;

A queda projetada de 7,3% nas exportações e aumento de 2,1% nas importações terão contribuição negativa no cálculo do PIB de 2019;

Soja petróleo e minério de ferro deverão ser responsáveis por 30,1% das exportações totais projetadas para 2019, enquanto em 2018 alcançaram 32,5%.

 

 

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