Aeroportos de Caxias do Sul, Passo Fundo e Chapecó, irmãos não tão distantes

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Governo do RS/Divulgação

Claudio Lemes Louzada (*)

A postergação do inicio das obras no aeroporto Passo Fundo nos deixou com um pouco mais de tempo para refletir e arejar a mente enquanto pensamos em um aeroporto no futuro. Realidade, Passo Fundo deixou de ser apenas um destino regional para tornar-se um polo nacional com seu aeroporto e cidades do entorno.

Devido a similaridade de fatos, acontecimentos e visão puramente regional, podemos comparar Passo Fundo com Caxias do Sul ou até Chapecó. O que existe de comum nesses três aeroportos regionais da região sul? Primeiro, deixaram a muito tempo de ser aeroportos regionais para ter influencia muito além de seus estados de origem. Segundo, nasceram de uma pequena demanda, onde eram servidos por aeronaves de 16 lugares, pousando inclusive em pistas de terra. Estivem reprimidos por muitos anos por falta de iniciativa governamental e inercia da iniciativa privada, ausente de decisões estratégicas.

Ressalvo que Chapecó sempre se manteve mais atento as necessidades do modas e com efetiva participação da prefeitura e câmara industrial e comercial. Terceiro, o potencial dessas cidades aumenta a velocidade Mach, enquanto a infraestrutura aeroportuária aumenta na velocidade de governo. A defasagem é inevitável! Quarto, as propostas governamentais, com exceção de Caxias até o momento para o aeroporto de Vila Olivia, são simplórias e não contemplam o futura realista da aviação Brasileira, para não falar da integração do modal em termos de Mercosul e fronteiras livres, onde as cidades médias e grandes ao sul do Brasil poderão integrar mais rapidamente com o real conceito de Mercosul do quaisquer outras mais ao norte.

Não se trata mais apenas de Brasil, mas sim de uma vasta região produtiva e consumidora de produtos, serviços, turismo e similaridades. O conceito de desenvolvimento sul-sul deve ser revisto! Talvez, mais importante que as ligações com o sudeste do Brasil.

Em Passo Fundo é necessário um aeroporto moderno e atual com, entre outras benfeitorias aeroportuárias, uma extensão da pista para o mínimo de 2.500 metros de comprimento por 45m de largura (2.500 x 45m), resistência do piso para suportar 95 toneladas ou superior e voo por instrumento ILS. Para um aeroporto de primeira categoria, como será Passo Fundo, o voo por instrumento GPS, hoje instalado, é só um complemento ao muito apurado e preciso ILS.

De 5 a 10 anos, as aéreas nacionais estarão com a frota completamente atualizada para os novos modelos A320 NEO ou A321 NEO da Airbus e Boeing B737 MAX que acomodarão de 180 a 230 passageiros. De que vale atualizar nossos aeroportos para aeronaves de 170 lugares quando a renovação de frota já começou e 24 dessas novas aeronaves já pousaram nas terras Brasileiras?

Com pista de 2.500m Passo Fundo poderá receber sem nenhuma restrição operacional as novas aeronaves de 180 a 230 lugares que serão a maioria na frota das empresas brasileira junto com os jatos regionais de 130 a 140 lugares. Não podemos construir aeroportos para o hoje. O hoje, já é passado! Caxias do Sul sofre até hoje a decisão equivocada de planejar seu atual aeroporto para somente 10 anos à frente. Resultando em um sítio aeroportuário restrito no centro da cidade.

Chapecó e Caxias do Sul já extrapolaram quaisquer conceitos estritamente regionais. São regiões onde um aeroporto internacional não seria utopia. Tanto devido a parceiros dentro do Mercosul como também em direção a Europa e Estados Unidos. Esses dois aeroportos são refém da baixa infraestrutura aeroportuária e não podem receber grandes aeronaves de carga, necessidade fundamental à indústria exportadora da região. Atualmente dizer que R$ 60 milhões de reais estão diretamente relacionados a negócios na cidade devido ao aeroporto é subestimar o potencial do aeroporto e negócios. Esses valores serão capazes de duplicar em pouco tempo. Aeroportos modernos e pistas de 3.000m devem ser a realidade de propostas e construção em Caxias do Sul e Chapecó. Motivo que alerto, Passo Fundo não pode apenas pensar em aeroporto para atender o tráfego de passageiros e carga de 2018. Devemos ter a mente a aberta as novas oportunidades de negócio através do aeroporto.
(*)Consultor e Planejador Sênior de Linhas Aéreas e Logística.

 

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