Apagão no Amapá reforça debate sobre importância da manutenção preventiva em usinas

O apagão recente do Amapá que deixou um estado com cerca de um milhão de habitantes sem energia elétrica, ainda causa indignação. Em todas as manifestações existe pelo menos uma unanimidade: houve falha na manutenção dos equipamentos e negligência que nasceu de uma combinação de linha fraca, subestação única e falha na manutenção.  É dessa forma que o especialista em manutenção de equipamentos elétricos, Jairo Benedito Cardoso, avalia as causas que provocaram o desastre que atingiu todo o estado durante 22 dias.

Conforme o especialista, a manutenção tem um papel fundamental, seja no setor elétrico ou em qualquer outro que dependa da disponibilidade dos equipamentos, na prevenção de prejuízos e acidentes decorrentes do mau funcionamento de um ou mais componentes. Além do desgaste gradual, os equipamentos podem falhar, sem motivo aparente e de forma inesperada. Todavia é possível diminuir o impacto e as consequências dessas falhas seguindo um conjunto de ações técnicas que permitem manter ou recompor uma situação de falha sem grandes consequências, acrescenta.

Lembra ainda Benedito, que  o gerenciamento de ativos IAM  (Industrial Asset Management)  é um conceito relativamente novo que crescentemente tem sido adotado por empresas espalhadas pelo mundo , uma vez que otimiza a performance técnica e econômica da planta, acelera o retorno do investimento em equipamentos e cria valor para a empresa.

No ramo do seguro, a preocupação do segurado é manter o sistema de proteção nas melhores condições possíveis, diz o especialista.  “Se você é dono de uma usina de qualquer fonte  e não faz manutenção adequada dos equipamentos, corre um risco desnecessário e nem mesmo a contratação de um seguro pode garantir a indenização” diz Anderson Cardoso, CEO da Acesso Brasil Seguros.

Existem, três tipos de manutenção em sistemas elétricos: Manutenção preventiva, preditiva e corretiva: A preventiva, como o nome já diz, é realizada a fim de prever e evitar possíveis danos prolongando a vida útil dos componentes e dos equipamentos. A preditiva está inserida no contexto de manutenção condicional. Após avaliar por meio de análise de dados um comportamento irregular que o elemento está apresentando, é possível determinar o momento certo para uma intervenção.  Já a corretiva ocorre quando o equipamento falha ou para totalmente. Não deveria ser utilizada, pois, o ideal é que através das manutenções preventivas e preditivas, os problemas incipientes sejam prevenidos, reduzindo a necessidade de intervenções de emergência.

“No caso de sinistros em equipamentos elétricos ou em outros tipos de máquinas, a cobertura de dano material é feita por meio do seguro de risco operacional ou risco nomeado que pressupõe a manutenção dos equipamentos, como condição indispensável para garantir uma eventual indenização” diz  Cardoso e complementa: “Se o segurado não comprovar que seus equipamentos passaram pela manutenção recomendada pelo fabricante, ele não terá direito à indenização.”

De acordo com Cardoso, o seguro garante até o limite máximo de indenização ou sublimites por cobertura . Na hipótese de sinistro decorrente de risco simultaneamente amparado por várias coberturas, prevalecerá aquela que for mais favorável ao segurado, a seu critério, salvo se convencionado em contrário nas condições especiais ou coberturas adicionais, não sendo admitida, em hipótese alguma, a acumulação de coberturas e seus limites máximos de indenização.

” Quando um equipamento não recebe monitoramento, a consequência é a diminuição ou a paralisação da produção, com pausas que podem resultar em grandes perdas. O que ficou de lição com este episódio foi mostrar o quanto a manutenção preventiva é de extrema e indispensável importância. Ela visa garantir que a usina opere sem nenhuma dificuldade, além disso, zela pela qualidade dos equipamentos dando uma maior previsibilidade dos processos produtivos. Assim, riscos de eventuais perdas ou interrupção da produção são minimizados.”

 

 

 

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