Quanto mais amistoso para o setor privado, mais capital privado você atrai, diz Gustavo Franco

Gustavo Franco/ Foto Federasul/Divulgação

Adepto da ideia de privatizar todas as empresas estatais, o economista Gustavo Franco está convencido de que o importante do debate seja menos a privatização em si, mas  assegurar os serviços prestados à população. Citou a área de saneamento como um caso exemplar de concessões de serviços púbicos. “As pessoas podem pensar: a conta da água, do esgoto vai ficar mais cara. Caro é não ter o serviço. Caro é o mosquito da Zica morder seu filho. A gente sabe as consequências”, alertou na reunião-almoço desta quarta-feira (25) na Federasul.

A retomada de investimentos na área de infraestrutura será essencialmente de capital privado, como acontece hoje, via BNDES, bolsa de valores e organismos internacionais. Para ele, recursos do FGTS, do PIS e do FAT devem ser utilizados como elementos para construir uma previdência complementar. “Quanto mais amistoso para o setor privado, mais capital privado você atrai”, avalia. “Privatização é um pilar na reestruturação dos serviços públicos essenciais que estão sendo mal fornecidos à população”, acrescentou.

Falta de investimento é brutal

“Setores mais complexos, como saneamento, precisam abrir janelas (modelagens) para permitir a entrada do capital privado. Este é um setor sensível, basicamente porque envolve meio ambiente e saúde pública. A falta de investimento é brutal. Este setor vai precisar de privatização, PPP, um novo quadro regulatório, as vezes uma regulação intermunicipal, conforme as bacias hidrográficas. São questões difíceis que o governo federal tem se afastado”, mostrou.

Citando relatório da Secretaria de Empresas Estatais, o Brasil tem hoje 149 empresas estatais, mas segundo o economista, a maior parte tem patrimônio líquido negativo. “Não tem muito o que privatizar fora a Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e a Petrobras. E os Correios, mas tenho dúvidas quanto ele vale. Não há nenhuma regra religiosa que diga que não se pode privatizar. É um patrimônio nosso, mas se for preciso vender com o intuito de fazer caixa, que se faça da melhor maneira possível”, comentou.

Olhar de empresa privada

Para ele, imprimir velocidade nos processos de privatização e ao mesmo tempo oferecer condições vantajosas para atrair o setor privado, tem muito a ver com o nível de exigências colocadas nos formatos das concessões. “Até recentemente ele (governo) estava errado, hostil a iniciativa privada, tentando desviar o interesse dos projetos para empresas estatais. É preciso um olhar de empresa privada. Deficiência em infraestrutura machuca o crescimento do país, para não falar de outras consequências”, observou.

Em relação ao papel das agências reguladoras, Gustavo Franco, disse que o modelo é bom. O que não se esperava é que houvesse um loteamento político. “Diretores foram nomeados com mandatos para exercerem sem a devida qualificação”, disse, para quem a substituição não será simples. “É preciso pensar maneiras de proteger as agências desse loteamento. Há alternativas”, indicou, sem entrar em detalhes.

Eletrobras pode servir de exemplo

O economista simpatiza com o modelo de venda do controle da Eletrobras através da oferta secundária de ações como forma de diminuir a participação do governo. “Alguns pontos são interessantes, como formar um grupo de controle privado, que vai modificar a governança, e sem nomeações políticas”, ressaltou.

Para ele, esse modelo será muito útil no futuro, pois poderia ser aplicado no Banco do Brasil. Alerta que, nesse caso, no grupo de controle não pode ter representantes de concorrentes como Itaú, Bradesco e Santander. Pode ser competidor importante para os bancos locais, com benefícios extraordinários para consumidores de serviços financeiros. Com mais liberdade, pode ser mais eficiente para a economia do que é hoje”, disse. O modelo também pode servir para a CEF.

Facebook
X
LinkedIn
WhatsApp
Email
Threads

Últimas Notícias

Cobrança 100% proporcional do Free Flow deve avançar com novas concessões, diz ABCR

Da Redação Revista Modal A transição para o modelo de cobrança de pedágio sem barreiras físicas, o Free Flow, abre caminho para uma transformação ainda mais profunda nas rodovias brasileiras: a adoção de tarifas 100% proporcionais aos quilômetros efetivamente rodados pelos motoristas. Embora a mudança exija evolução regulatória e contratual, a tendência é que a tarifação por quilômetro percorrido entre em definitivo na agenda das novas concessões e nas adaptações dos contratos existentes no país, afirma Marco Aurélio Barcelos, presidente

Leia Mais »

Concessões e aluguel de frotas impulsionam mercado de máquinas da Linha Amarela

A expansão dos investimentos em concessões públicas de infraestrutura e o ritmo aquecido da mineração estão impulsionando as vendas de máquinas pesadas no Brasil, criando um cenário de resiliência para o setor de bens de capital mesmo sob o impacto de juros altos e crédito restrito. Segundo dados da Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração (Sobratema), as comercializações de equipamentos da chamada Linha Amarela — grupo que reúne escavadeiras, pás-carregadeiras e rolos compactadores — devem crescer 4% em

Leia Mais »

Paving Expo 2026 projeta 35 mil visitantes e consolida o novo ciclo de investimentos na infraestrutura viária do país

O tom do setor de infraestrutura viária no Brasil não é de triunfalismo de fachada, mas o de constatação pragmática. No epicentro da pavimentação e das concessões rodoviárias, o investimento privado e as obras públicas deixaram o terreno das promessas para se tornar demandas imediatas de engenharia. A trajetória da Paving Expo reflete essa virada de chave no mercado nacional. Após registrar recordes sucessivos e saltar de 19,8 mil visitantes em 2023 para mais de 31 mil, 300 marcas e

Leia Mais »
Não temos mais posts para mostrar

Cobrança 100% proporcional do Free Flow deve avançar com novas concessões, diz ABCR

Da Redação Revista Modal A transição para o modelo de cobrança de pedágio sem barreiras físicas, o Free Flow, abre caminho para uma transformação ainda mais profunda nas rodovias brasileiras: a adoção de tarifas 100% proporcionais aos quilômetros efetivamente rodados pelos motoristas. Embora a mudança exija evolução regulatória e contratual, a tendência é que a tarifação por quilômetro percorrido entre em definitivo na agenda das novas concessões e nas adaptações dos contratos existentes no país, afirma Marco Aurélio Barcelos, presidente

Leia Mais »

Concessões e aluguel de frotas impulsionam mercado de máquinas da Linha Amarela

A expansão dos investimentos em concessões públicas de infraestrutura e o ritmo aquecido da mineração estão impulsionando as vendas de máquinas pesadas no Brasil, criando um cenário de resiliência para o setor de bens de capital mesmo sob o impacto de juros altos e crédito restrito. Segundo dados da Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração (Sobratema), as comercializações de equipamentos da chamada Linha Amarela — grupo que reúne escavadeiras, pás-carregadeiras e rolos compactadores — devem crescer 4% em

Leia Mais »

Paving Expo 2026 projeta 35 mil visitantes e consolida o novo ciclo de investimentos na infraestrutura viária do país

O tom do setor de infraestrutura viária no Brasil não é de triunfalismo de fachada, mas o de constatação pragmática. No epicentro da pavimentação e das concessões rodoviárias, o investimento privado e as obras públicas deixaram o terreno das promessas para se tornar demandas imediatas de engenharia. A trajetória da Paving Expo reflete essa virada de chave no mercado nacional. Após registrar recordes sucessivos e saltar de 19,8 mil visitantes em 2023 para mais de 31 mil, 300 marcas e

Leia Mais »
Não temos mais posts para mostrar

Sua marca entre os principais players da logística nacional

A Revista Modal oferece espaços publicitários e oportunidades de parceria para empresas que desejam se destacar no setor.

Entre em contato e solicite nosso Mídia Kit.