Celulose Riograndense deflagra no final de setembro integração hidroviária em sua cadeia de produção

Walter Lídio Nunes, presidente da Celulose Riograndense/Divulgação

O ano de 2016 deverá representar um novo marco na logística do Rio Grande do Sul, com a utilização do modal hidroviário pela Celulose Riograndense para o transporte de madeira, desde Pelotas até Guaíba, sede da empresa.
Ao todo serão transportadas por barcaças cerca 1,2 milhão toneladas por ano da matéria-prima. Depois de processado o eucalipto, a celulose destinada ao mercado interno, Argentina e Uruguai, será transportada via modal rodoviário – cerca de 300 mil toneladas por ano – enquanto a maior parte –1,7 milhão toneladas por ano – será escoada por hidrovia até Rio Grande, de onde seguirá para o exterior.  O transporte inicia no final de setembro, quando as obras do porto de Pelotas estiverem concluídas, informou a MODAL o presidente da empresa, Walter Lídio Nunes.
A Celulose Riograndense está investindo cerca de R$ 20 milhões na revitalização e operacionalidade do porto público, que será equipado com um sistema de pesagem e escaneamento de caminhões e de drenagem e iluminação das áreas de manobra e disposição da madeira.
Novo acesso rodoviário
Além disso, está sendo construído um novo acesso rodoviário até o porto de Pelotas a partir da BR 392, próximo à ponte do Canal de São Gonçalo. O projeto conceitual deste acesso, resultado da parceria entre o município de Pelotas, o governo do RS e a CMPC, foi doado ao Dnit, o que possibilitou a inclusão do trecho no SNV (Sistema Nacional de Viação).
O processo de seleção de mão de obra já iniciou, mas as contratações devem se efetivar em torno de 30 dias antes do início das operações, logo após a conclusão do treinamento desses profissionais. As contratações serão fixas, enquanto a CMPC mantiver atividades no porto.  Como de praxe, a Celulose Riograndense dará prioridade à utilização de mão de obra e fornecedores locais para implantação e operação portuária. A logística completa para escoamento da matéria-prima envolverá em torno de 800 funcionários.

Matéria-prima
Parte da madeira de eucalipto utilizada pela empresa é obtida em florestas plantadas em 14 municípios no sul do RS, em uma região entre Pelotas, Bagé e Piratini, tendo como centro de operações o município de Pinheiro Machado. As toras de seis metros de comprimento serão encaminhadas para Pelotas por meio das rodovias BR 116 e 293. A utilização do modal hidroviário para transporte de madeira entre Pelotas e Guaíba  eliminará 180 viagens de ida e vinda de caminhões pela BR 116, no mesmo trecho, beneficiando o meio ambiente que ficará livre das emissões do tráfego.
A frota de caminhões que continuará fazendo o transporte rodoviário possui um computador a bordo e é totalmente monitorada via satélite. Um centro de operações em Guaíba controla em tempo real o andamento destes veículos onde eles estiverem, seja nos hortos florestais, ao longo das rodovias ou nas vias de acesso na cidade de Pelotas. Esse controle assegura que o motorista obedeça às instruções de transporte, como velocidade adequada e distância entre veículos para evitar comboios e facilitar as ultrapassagens de outros usuários, paradas obrigatórias para recomposição física do motorista, entre outras normas.

Padrão internacional
 “O investimento não se justificará se não for utilizada uma logística que siga o padrão internacional de utilização de hidrovias para o transporte de celulose”, diz Nunes. “Hoje a logística representa o maior custo da empresa, com um percentual na faixa de 50%. Esse dado inclui uma cadeia desde o recebimento da matéria-prima até a entrega da celulose na porta do cliente no exterior.”
Desde 2012, a Celulose Riograndense desenvolve um plano de investimentos de mais de R$ 5 bilhões na expansão de sua fábrica. Divididos em três grandes áreas: industrial, florestal e infraestrutura, o projeto irá aumentar em mais de três vezes a capacidade de produção da unidade.

 

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