Certel lidera avanço da rede trifásica na zona rural gaúcha e fortalece o papel das cooperativas na extensão do acesso à energia elétrica

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Instalação de rede trifásica da Certel

O papel das cooperativas de eletrificação rural vem se tornando cada vez mais relevante na capacitação e na melhoria da qualidade de vida de comunidades rurais que, não raro, são negligenciadas por concessionárias.   Além de investir em geração de energias renováveis, subestações e linhas de transmissão, elas também vêm liderando o caminho na instalação de redes trifásicas em regiões que, neste ano de 2021, ainda são atendidas somente por redes monofásicas, insuficientes para os segmentos que fazem parte do agronegócio.

“As melhores áreas da zona rural hoje, no RS, são as que são tocadas pelas cooperativas de eletrificação”, disse a MODAL Fábio Rodrigues, diretor vice-presidente da Federação da Agricultura do RS (Farsul).

Rodrigues aponta as regiões Sul e Litoral, como as mais deficitárias na zona rural do RS.  “São nessas regiões, de responsabilidade da CEEE-D, que existem os maiores gargalos na distribuição de energia, com raríssimas exceções”,  acrescenta. “Sem rede trifásica o produtor rural não pode progredir”.

O empresário assinala que a grande questão que impede o acesso à rede trifásica é a insuficiência de infraestrutura de distribuição rural. “Faltam subestações e redes de distribuição para o agricultor ter acesso à rede trifásica”, pontua Rodrigues. “ É preciso investir nesse rearranjo da infraestrutura de distribuição na zona rural.”

Atualmente, segundo dados oficiais, o estado do RS tem 506 mil propriedades rurais eletrificadas, das quais somente 37% com redes trifásicas. O custo de ampliação para trifásica de toda a rede é estimado em cerca de R$ 1 bilhão, a valores deflacionados.

Entre seus benefícios, a transformação em rede trifásica pode aumentar a produtividade em 209% na produção de milho, 104% na soja, 157% na de feijão, 128% na de leite, além de favorecer a atividade de áreas irrigadas. Outra vantagem  é que ela permite conectar equipamentos mais potentes, mais eficientes e mais econômicos.

Para Rodrigues, entre as cooperativas de eletrificação rural do estado, a Certel é a mais “organizada e se constitui em modelo na extensão do acesso à eletricidade”. A cooperativa atua em redes trifásicas em toda a sua área de permissão. Dos 69.185 associados conectados atualmente, 16.897 tem ligações trifásicas (25%), com  aproximadamente 2 mil quilômetros de redes trifásicas em média tensão . As principais culturas beneficiadas são a avícola, suína e leiteira.

Com investimentos de R$ 3 milhões, de recursos próprios, para este ano a meta da Certel é aumentar as redes trifásicas em 120 quilômetros, o que beneficiará pelo menos mais 300 famílias associadas.

Atualmente, a Certel conta com um fundo próprio de incentivo para transformação de redes mono/bifásicas para trifásicas, em que além do custeio obrigatório legal, a cooperativa auxilia de 30% a 60% do valor de responsabilidade do associado dependendo de sua carga.

 

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Erineu Hennemann, presidente da Certel

Em 2020 foi implementado pelo governo do RS  o Programa Energia Forte no Campo, destinado às cooperativas distribuidoras de energia, em que o estado custeia 20% do valor dos projetos, no total de R$ 20 milhões, de recursos do BRDE.

Na primeira fase do programa, estão previstos investimentos para transformar em trifásica um total de 364 quilômetros de rede de distribuição, beneficiando 1.120 pequenos produtores.

Rodrigues, da Farsul, lembra que o programa do governo do estado contempla apenas projetos. Apesar do “pouco dinheiro” diante do desafio de levar a rede trifásica a mais de 300 mil propriedades rurais reconhecidas pelas estatísticas oficiais, Rodrigues  reconhece o esforço do governo. “O fato é que esses recursos são apenas destinados a projetos. Toda a infraestrutura de distribuição vai ficar para as cooperativas, o que é atribuição das concessionárias de energia e onde se situa o principal gargalo  para a transformação em redes trifásicas”, reitera.

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