Comemorações do dia mundial de energia coincidem com avanço das energias renováveis no planeta e o declínio do carvão nos Estados Unidos

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As comemorações do dia mundial da energia, em 29 de maio último, acabaram coincidindo com uma enxurrada de boas noticias no setor. Pela primeira vez, em mais de 130 anos, solar, eólica e outras fontes renováveis derrubaram o carvaõ na geração de energia nos Estados Unidos, com a pandemia de coronavís acelerando o fim desse combustível fóssil que tem implicações profundas na crise climática.

O consumo de carvão caiu 15%, pelo sexto ano consecutivo, enquanto as energias renováveis subiram 1%. Isso significa que as energias renováveis superaram o carvão pela primeira vez desde pelo menos 1885.

Já em relação às energias renováveis, mesmo que a economia global tenha sido travada pela pandemia de Covid-19, em maio os setores de energia e armazenamento de fontes limpas continuaram alcançando novos recordes.

Em Abu Dhabi, chegou-se a uma tarifa solar de apenas US $ 13,50 por MWh, o que representa 13% abaixo do recorde anterior estabelecido em janeiro 2020 no Qatar a US $ 15,60 / MWh. Já a Comissão de Regulação Pública do Novo México (NMPRC) aprovou 100 MW de geração solar e 50 MW de armazenamento de bateria descartável por aproximadamente US $ 30 / MWh. A Califórnia premiou sete projetos, totalizando 770MW de armazenamento em bateria. E a Siemens Gamesa anunciou o lançamento de um novo recorde de uma turbina eólica de 14 MW no exterior, para implantação comercial em 2024.

O avanço da energia solar no Brasil

No Brasil, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) publicou dados que concluem que existem 3 GW de energia instalada em geração distribuída, principalmente fotovoltaica,  o que corresponde a 315.623 unidades de consumo.

Os dados publicados pela Aneel também mostram que a maior parte da energia instalada está concentrada em projetos comerciais e residenciais, segmentos com 1,2 GW e 1,1 GW, respectivamente. Atrás estão as instalações rurais, com 370 MW e, em outra posição das relevantes por energia, as industriais, com 300 MW

Por tipo de tecnologia, verifica-se que, do total de unidades, correspondem a 241.744 fotovoltaicos, com uma potência instalada total de 2.817 MW. Muito mais atrás estão as usinas termelétricas, com 234, totalizando 72 MW; enquanto isso, as 107 usinas hidrelétricas (CGH, até 5 MW), completam 103 MW; e, finalmente, as usinas eólicas são 63, com 10 MW.

A maioria notável são unidades consumidoras com geração própria: 206.739. Enquanto as de autoconsumo remoto são 34.858.

Segundo a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), esse conjunto de unidades representa mais de US$ 2,7 bilhões em investimentos acumulados desde 2012. Entre o final de abril e o final de maio, o mercado cresceu 5,1% em o número de unidades de consumo.

Declínio do carvão

Ao comentar o declínio do carvão nos Estados Unidos, Dennis Wamsted, analista do Institute for Energy Economics and Financial Analysis disse que o mundo está vendo o fim do carvão. “Não vamos ver um grande ressurgimento na geração de carvão, a tendência é bastante clara.”

O colapso em andamento do carvão teria sido quase impensável há uma década, quando a fonte de combustível representava quase metade da eletricidade gerada nos Estados Unidos. Essa proporção pode cair para menos de 20% este ano, com analistas prevendo uma redução adicional pela metade na próxima década.

O carvão libera mais dióxido de carbono que aquece o planeta do que qualquer outra fonte de energia, com os cientistas alertando que seu uso deve ser rapidamente eliminado para atingir emissões líquidas zero em todo o mundo até 2050 e evitar os piores  estragos da crise climática.

“É um grande momento para o mercado ver as energias renováveis ultrapassarem o carvão”, disse Ben Nelson, analista de carvão da Moody’s. “A magnitude da intervenção para ajudar o carvão não foi suficiente para mudar fundamentalmente sua trajetória, que é acentuadamente descendente”.

Nelson disse que espera que a produção de carvão caia um quarto deste ano, mas enfatizou que declarar o fim da indústria é “uma afirmação muito difícil de fazer” devido às exportações contínuas de carvão e ao seu uso na fabricação de aço. Também existem comunidades rurais com acordos de compra de energia com usinas de carvão, o que significa que esses contratos teriam que terminar antes que o uso do carvão fosse interrompido.

De acordo com o jornal inglês The Guardian, o setor de carvão foi atingido por uma série de evetos, predominantemente de gás mais econômico e abundante que o deslocou como fonte de energia. O surto de Covid-19 exacerbou essa tendência. Com a queda na demanda de eletricidade após o fechamento de fábricas, escritórios e varejistas, as empresas de serviços públicos têm bastante energia disponível para escolher e o carvão é rotineiramente o último a ser escolhido, porque é mais caro operar do que o gás, solar, eólico ou nuclear.

Apenas neste ano, as empresas de energia anunciaram planos para fechar 13 usinas de carvão, incluindo a grande instalação de Edgewater nos arredores de Sheboygan, Wisconsin, a usina Coal Creek Station em Dakota do Norte e a estação geradora Four Corners no Novo México – um dos maiores emissores de carbono da América dióxido.

A última instalação de carvão deixada no estado de Nova York foi fechada no início deste ano.

A pressão adicional da pandemia “provavelmente fechará a indústria do carvão dos EUA para sempre”, disse Yuan-Sheng Yu, analista sênior da Lux Research. “Está ficando claro que o Covid-19 levará a um abalo no cenário energético e catalisará a transição energética, com os investidores observando novos desempenhos do setor energético à medida que emergimos da pandemia”.

Os ativistas climáticos aplaudiram o declínio do carvão, mas nos EUA o combustível está sendo amplamente substituído por gás, que queima mais limpa que o carvão, mas ainda emite uma quantidade considerável de dióxido de carbono e metano, um poderoso gás de efeito estufa em sua produção.

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