De olho na seca do Sul do Brasil

Renan e Maikon

Por Maikon Del Ré Perin, Middle Office da Ludfor Energia, Renan Martins Pizzochero, Meteorologista da Ludfor Energia.

Oceano Pacífico resfriado, La niña confirmada. Canais de notícias informavam que o padrão é seca no Sul e chuva abundante no Nordeste. Mas é isso mesmo que ocorre? Não dá para bater o martelo, pois a atmosfera é muito mais complexa do que uma simples regra do pacífico.

O ano de 2020 iniciou com um grande período sem chuvas para a região sul. Os reservatórios alcançavam a marca dos 14,9% no mês de abril, e nem estávamos sob condição de La Niña, mesmo assim, a região sul vivia (ainda vive) períodos conturbados na geração de energia hídrica. Tivemos uma rápida melhora no mês de agosto desse ano, onde os reservatórios da região sul atingiam a marca dos 62%. De lá para cá, poucos episódios de chuva expressiva ocorreram e encaramos mais um período seco se aproximando, mas agora, com previsão de La Niña forte.

Os reservatórios da região Sul hoje estão operando com 18% da capacidade, e nem chegamos no período mais crítico da La Niña, marcado para janeiro. Há muitas usinas despachadas como fora da ordem de mérito como tentativa de conter a rápida redução dos níveis dos reservatórios. Temos de esperar fevereiro, para ocorrer o aquecimento do Oceano Pacífico, e voltar as chuvas na região Sul?

Acreditamos que não, pois não só a temperatura do Oceano Pacífico Equatorial que determina o regime de precipitação no Brasil. Nessa última semana operativa de novembro, por exemplo, um outro padrão na atmosfera impactou mais as chuvas na região.

A Oscilação de Madden-Jullian, mais conhecida como OMJ, que é uma oscilação na atmosfera que se dá na forma de uma célula de convecção tropical que viaja de oeste para leste na faixa equatorial num período de 30 a 60 dias, originando-se no Oceano Indico e alcançando as terras tupiniquins, foi fundamental para a volta das chuvas em Santa Catarina, gerando um pequeno bloqueio atmosférico no centro-norte do Brasil e segurando a chuva sobre a região sul. Mas, como tudo na natureza, ainda existem outras implicações para que haja a umidade suficiente e que aconteça a chuva.

O Oceano Atlântico Sudoeste, mais precisamente na costa do Uruguai e Rio Grande do Sul, está com a temperatura da sua superfície bastante acima da média, o que favorece a formação de ciclones subtropicais na região, levando mais umidade do oceano para o continente. Esse fato é favorecido pelo bloqueio atmosférico no centro-norte do país, que mantém a chuva mais para o sul, como vem ocorrendo.

A grande questão que fica é, a La Niña significa a região sul totalmente seca? A resposta é não. Existem outros movimentos e oscilações na atmosfera que facilitam a formação de chuva na região sul durante evento de La Niña. Todavia, ela pode atrapalhar e, se persistir por muito tempo, o sul pode ver novamente o preço descolando pra cima em relação ao Sudeste/Centro-Oeste no momento que atingir o limite de importação de energia entre submercados.

 

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