DGE prevê mudanças de paradigmas nas relações de negócios e aceleração dos avanços tecnológicos pós-covid 19

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Guilherme Sari

Guilherme Sari, presidente do Sindienergia-RS e diretor comercial da DGE, de Porto Alegre, defende a ideia de que o Covid19 deverá acelerar a revolução tecnológica na forma como tudo passará a ser digitalizado e interconectado, tornando as empresas mais interdependentes. Leia entrevista completa neste link.

Com a DGE operando no modelo home office desde 16 de março, ele informa que já foi possível perceber que daqui para a frente alguns paradigmas serão quebrados. Afirma que é possível trabalhar a distância, “as reuniões e operações funcionam bem e que isso foi facilitado pelo fato de a empresa utilizar-se do trabalho remoto há mais tempo”.
Com uma equipe de oito pessoas e com operações no RS e NE do país e uma relação com investidores baseados no sudeste (grande parte São Paulo), a empresa já possuía esta rotina no cotidiano. Mas o fato é que sempre envolvia isto com muitas viagens para acerto de reuniões e acompanhamento in locu dos projetos. Entretanto, com o advento do Covid19 ela foi obrigada a adaptar tudo para a distância e agora, mesmo aquelas viagens normais, vão ser repensadas mais à frente porque muitas podem ser evitadas, acrescenta. “Esta será a grande mudança de padrão daqui para frente”, observa Sari e indaga. “Qual é a real necessidade de se estar presente nessas reuniões?”.
Assinaturas digitais

O uso do trabalho remoto há mais tempo também permitiu simplificar tarefas como no caso de assinaturas digitais nos contratos da empresa.  “Ainda existem  algumas resistências, mas acreditamos que a partir desse advento do Covid19 cada vez mais será alterada a forma de operacionalizar algumas ações. Temos uma demanda cartorial muito grande devido a registros de contratos de áreas para estudos, regularização fundiária e mesmo de contrato de trabalho, venda de serviços e projetos. Já estamos realizando muitas assinaturas certificadas e cada vez mais percebemos a adesão das empresas neste formato de reconhecimento e registro. E isto facilita enormemente o processo e mantém a segurança da informação”.

Segurança

Sari relata que o cuidado com a introdução do home office a segurança de dados não foi esquecido, o que inclui programas específicos e restrições com o uso. “A verdade é que vivemos um período que mesmo com todos os cuidados e programas somos suscetíveis a invasões e transmissão de enfermidades que precisamos estar redobrando a atenção para evitar maior exposição”.

Definida em uma reunião de rotina numa segunda-feira à adesão ao home office foi introduzida sem qualquer projeto-piloto. “Percebemos que de forma geral empresas e instituições não estavam prontas para a imposição do novo modelo. Tivemos uma reunião de definição estratégica de um projeto em São Paulo que foi toda conduzida por videoconferências surpreendentemente bem, o que mostra que o modelo pode vir a funcionar para muitas situações”, explica.  “Mas foi impactante porque, de uma hora para outra, não só estávamos em casa para resolver as questões de trabalho, mas também nossos filhos estavam juntos e sem o amparo do colégio para resolver o ensino deles. Ou seja, foi uma mudança realmente radical”.
Colaboradores
Já os colaboradores reagiram à proposta de Home Office com grande alívio, pois estavam preocupados com as notícias que começavam a chegar sobre o vírus e principalmente com o quadro epidemiológico da Itália. “Foi sensato, naquele momento, em reunião de empresa, chegar nesta conclusão e nesta tomada de decisão”.

A  adoção do trabalho em casae, segundo Sari, vem funcionando bem para todos os colaboradores que não têm filhos pequenos em casa  -o que não é o seu caso. “Embora seja muito bom conviver mais com as crianças, a demanda delas, associada à escolar, refletem em um maior desafio para conseguir atender a rotina de trabalho que temos. Mas tudo é adaptação”.

Mesmo em meio ao Covid 19 e fase de isolamento, a demanda de trabalho não reduziu no quesito renegociação de contratos, ajustes de prestação de serviços, novos entendimentos e mesmo fechamento de contratos que já estavam alinhavados. A verdade que este episódio intensificou algumas demandas neste sentido a resposta dos clientes até o momento. “ Todos estão entendendo, até mesmo porque todos estão no mesmo barco, sob a mesma realidade. Assim fica mais fácil”.
Boas e novas oportunidades

Conforme Sari, o momento é desafiador e de mudanças. Mudanças em alguns casos que virão para ficar. Tenho certeza que o episodio Covid 19 somente acelerou esta revolução tecnológica que viveremos nos próximos anos. Precisamos nos adaptar a isto. Tenho certeza que alguns negócios serão repensados. Entre eles viagens comerciais, investimentos maciços em bens e imóveis entre muitos outros. Estamos vendo que conseguimos trabalhar a distância, que não precisamos estar em um lugar físico sempre e que podemos utilizar de forma diferente os recursos financeiros conquistados. Não é de hoje que vemos uma mudança cultural em gerações mais novas que não tem, por exemplo, a relação com carros e bens de consumo como as gerações vindas de anos anteriores até os meados dos anos 1980 e talvez 1990.  Podemos estar acelerando uma mudança que vai nos causar certa dificuldade de entendimentos, em um primeiro momento, mas que conseguindo entender melhor pode gerar novas e boas oportunidades. Enfim, os tempos estão mais acelerados e precisamos saber ler e processar de forma a sobreviver bem esta revolução global, conclui o empresário.

 

 

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