PCHs gaúchas começam a se direcionar para o mercado livre

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Roberto Zuch, presidente da agPCH

Tradicional presença nos leilões de geração de energia promovidos pela Empresa de Pesquisa  Energética (EPE), os projetos de PCHs e CGHs do Rio Grande do Sul ficaram de fora do Leilão A-6 marcado para o dia 18 de outubro, o que se constitui em um fato raro para um estado que já foi líder no ranking nacional do setor.

Em entrevista à MODAL, Roberto Zuch, presidente da Associação Gaúcha de Fomentos às Pequenas Centrais Hidrelétricas (agPCH), avalia as causas dessa ausência e os novos caminhos a serem seguidos pelos empreendedores.

Acompanhe a seguir:

Foram cadastradas 37 PCHs com potência de 568 MW, com destaque para Santa Catarina com nove. Esse quadro é representativo do setor no país? Ou ficou aquém de seu potencial ?

O quadro não é representativo do setor. Já faz algum tempo que o modelo de contratação no ACR (Ambiente de Contratação Regulado) deixou de ser o melhor caminho para a viabilização de PCH’s e CGH’s. Atualmente existem mercados mais atrativos no ACL (Ambiente de Contratação Livre) e, principalmente, na Geração Distribuída (GD) para usinas até 5MW (CGH’s). As dificuldades com a burocracia para inscrição dos empreendimentos no sistema da EPE, que incluem questões como plataforma pouco amigável, prazos exíguos, custos com consultorias, custos com garantias, preço teto pouco atraente e baixa demanda de contratação de energia — o que faz com que a disputa seja acirrada, levando a deságios significativos —, são os principais responsáveis pela baixa adesão de projetos de PCH’s e CGH’s na participação dos Leilões.

Como analisa o fato de o RS não ter cadastrado nenhum projeto de PCH para esse leilão ? O que faltou?

Baseado na argumentação da resposta anterior, vejo como natural o fato do RS não apresentar nenhum projeto de PCH cadastrado nesse leilão. Isso não significa que não teremos novas obras de PCH’s e CGH’s no RS. Pelo contrário, teremos obras sendo viabilizadas por meio de outros mercados que não o ACR.

No informe da EPE sobre o leilão, consta que as PCHs apresentam pouca evolução em suas características técnicas e que as mudanças mais significativas residem nos projetos de CGH. Como avalia esse parecer?

As PCH’s já atingiram um patamar praticamente estável na curva de aprendizagem. Contam com uma tecnologia consagrada e que possui a maior eficiência entre as fontes de geração de energia renovável. Portanto, obviamente que as fontes mais jovens apresentam um espaço maior para evoluções tecnológicas, uma vez que estão em um nível anterior na curva de aprendizagem. As mudanças mencionadas nos projetos de CGH’s se referem às características dos locais identificados para a implantação desses projetos. Os locais mais propícios para a implantação de aproveitamentos hidrelétricos com grandes quedas naturais estão se tornando cada vez mais raros. Diante disso, estão sendo analisados cada vez mais locais com baixas quedas, e está é a principal evolução tecnológica: buscar novas tecnologias para aproveitamento de energia de baixas quedas a preços competitivos.

Os preços teto para PCH e CGH ficaram em R$ 285,00 e R$ 225,02 para empreendimentos outorgados com contrato no ACR. Quais seriam os patamares mais adequados?

O preço necessário para viabilizar uma PCH ou CGH depende muito das características do empreendimento e do porte. Aproveitamentos hidrelétricos de baixa queda tendem a ser mais caros se comparados aos de alta queda, e temos cada vez mais aproveitamentos de baixa queda, que necessitam preços mais altos.  Outra dificuldade é a baixa demanda de contratação de energia nos leilões, o que faz com que os preços finais sejam, normalmente, muito abaixo dos preços teto.  Se desconsiderarmos alguns poucos projetos excepcionais, que possuem características muito favoráveis, a grande maioria dos projetos atuais de PCH’s e CGH’s necessitariam preços próximos a R$ 295,00/MW para se viabilizarem. Porém, com uma vantagem em relação às demais fontes : praticamente todos os empreendimentos ficam próximos aos centros de carga, o que traz um significativo ganho em termos de redução dos custos de transmissão e perdas elétricas, ou seja, não trariam impactos na tarifa dos consumidores cativos.

 

 

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