É hora de as hidrelétricas ajudarem na recuperação da economia

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 Daniel Faller (*)

 

No início deste ano escrevi um artigo para a MODAL sobre as boas perspectivas para o ano de 2020 para o segmento de pequenas usinas hidrelétricas, porém parece que agora tudo mudou.

Minha teoria de crescimento expressivo das pequenas hidrelétricas estava baseada no resultado dos leilões do ano passado, em especial do leilão A-6, em que se contratou uma fatia importante de energia advinda dessas usinas e, principalmente na perspectiva de crescimento do PIB nos próximos anos, com consequente aumento no consumo de energia.

Pois bem, a pandemia do novo coronavírus parece ter bagunçado tudo, e de fato o cenário que me baseei não existe mais, ainda por cima essa nova realidade trouxe grande instabilidade a todos os mercados e o setor elétrico também não passará incólume.

Os impactos econômicos ainda não são mensuráveis e certamente o governo precisará implementar medidas de estímulo para que o dinheiro volte a circular, permitindo a recuperação gradual da economia.

Ora, se no momento é preciso pensar em estratégias para fazer a roda da economia girar, não há nada melhor do que investir dentro do próprio país, em segmentos que utilizam nossa mão de obra e movimentam nossa indústria. Assim, um bom programa de melhoria da infraestrutura brasileira com a construção de estradas, sistemas de saneamento e geração de energia, é fundamental nessa hora.

Ao longo do último século as usinas hidrelétricas formaram a base para garantir o desenvolvimento econômico do Brasil, gerando energia limpa a custo baixo para nossos lares e indústrias e nesse momento me parece que elas desempenharão novamente um papel de protagonistas na reconstrução de nossa economia.

A construção de novas hidrelétricas depende exclusivamente de tecnologia nacional, praticamente tudo o que é necessário se produz dentro do Brasil, além de demandar grande volume de mão de obra.

Comparativamente com outras fontes de energia, as hidrelétricas empregam muito mais trabalhadores para sua execução, além de movimentar uma cadeia econômica que atinge praticamente todos os setores – indústria, serviços e construção civil.

Ao planejar a expansão do setor elétrico (que ainda é necessária, mesmo diante da crise atual), o governo precisa levar em conta os atributos de cada fonte e considerar especialmente a contribuição econômica que cada empreendimento pode trazer de fato ao país. Não basta fazer o que é mais fácil ou mais rápida, precisamos fazer o que é melhor, e nesse momento o melhor é valorizar o que temos aqui, o que se produz aqui.

(*) Diretor da HydroFall Consultoria

 

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