“É preciso elevar o preço-teto dos próximos leilões de energia eólica”

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Apesar de uma tendência positiva de crescimento da fonte eólica na matriz energética do Brasil, é preciso elevar o preço teto dos próximos leilões, devido ao aumento dos tributos, da logística de transporte, das chapas de aço e dos financiamentos. Somente dessa forma, o investimento permanecerá atrativo, afirmou Élbia Melo, presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), que lembrou ainda a existência de peças e componentes importados precificados pelo dólar, cuja moeda teve uma valorização de 53% frente ao real nos últimos 12 meses.  Em entrevista a MODAL, a executiva lembrou que desde 2009 o Brasil contrata energia eólica por meio de leilões, o que se deve em muito à evolução tecnológica que tornou esse tipo de energia mais acessível. “Nos 14 leilões realizados no período de 2009 a 20014, foram contratados mais de 14 GW no total, em que foi possível observar a queda dos preços, estabilidade e nova elevação”, afirmou. “Tal elevação se deu em uma pequena parcela pelas alterações regulatórias aplicadas para a fonte eólica e uma maior pelas condições macroeconômicas. Assim, o preço do MWh, de R$ 180,00, permaneceu atrativo.
Exemplo da Dinamarca
Com um potencial eólico estimado em mais de 400 GW, o Brasil ainda tem um longo caminho a percorrer, avalia a presidente da Abeeólica. “É possível afirmar que a fatia prevista para fonte eólica, no Brasil, poderá alcançar patamares ainda nem imaginados e  seguir o exemplo da Dinamarca que, em alguns momentos, chega a produzir, a partir dos ventos, energia para cobrir toda a demanda do país e ainda exportar para países vizinhos.“    Em sua opinião, um somatório de fatores estruturais e conjunturais impulsionou a inserção e o desempenho da fonte eólica no Brasil, com destaque  para fatores estruturais, como, por exemplo, o modelo de contratação nos leilões, com 20 anos de contratos corrigidos pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). As condições atrativas de financiamento,  isenção de impostos, de  ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e (IPI) Imposto sobre Produtos Industrializado. E também o novo (Finame) Programa de Financiamentos de Máquinas e Equipamentos  do BNDES, cujo conjunto de regras proporciona taxas mais atrativas que exigem um aumento gradual e qualitativo do grau de nacionalização do equipamento.
Matriz elétrica nacional
Um aspecto que cabe destaque ao Brasil, conforme a dirigente, é o fato das fontes limpas e renováveis, como eólica, solar, biomassa e PCHS serem altamente complementares entre si. O regime de ventos, por exemplo, e, portanto, a geração eólica, é complementar ao hidrelétrico, predominante no Brasil. Isso torna a eólica essencial para o SIN ( Sistema Interligado Nacional)  não somente pela geração efetiva, mas por permitir uma maior otimização do parque hidrelétrico, acrescenta.
A energia dos ventos participa hoje com 5,2% da matriz elétrica nacional, com uma potência  instalada de 7,2 GW e outros 10,7 GW em construção.  O PDE ( Plano Decenal de Expansão de Energia) 2023,  da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), prevê aumento gradativo de sua participação na matriz elétrica brasileira, devendo alcançar uma fatia de 11,5%, com 22 GW, em 2023.
 Ranking dos estados
  Na geração de energia elétrica, a fonte eólica responde por cerca de 2% a 3% da carga nacional. Para o subsistema Nordeste esse percentual é mais expressivo. Em 11 de junho de 2015, por exemplo, foi alcançado novo recorde de geração, 2.779 MW médios, representando 27% da carga deste subsistema com um fator de capacidade de 71%.
A liderança do ranking nacional atualmente é do Rio Grande do Norte, que até setembro tinha 93  parques instalados e uma potência de 2.606,6 MW, seguido pelo Rio Grande do Sul, com 52 parques (1.346,8 MW); Ceará, com 45 (1.256,3 MW); Bahia 45 (1.169,2 MW) e Santa Catarina 14 ( 238,5 MW).    Existem hoje no Brasil 170 parques eólicos em construção na Bahia, 90 no Rio Grande do Norte, 58 no Ceará e 41 no Rio Grande do Sul.  No ranking eólico internacional, o Brasil saltou da 15 ª para a 10ª posição entre 2012 e 2015, em potência instalada, com 5,96 GW. China é o primeiro, com 114,76 GW, seguida pelos Estados Unidos, Alemanha, Espanha, Índia, Reino Unido, Canadá, França e Itália.

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