É preciso sair da lógica do curto-prazo dos ciclos eleitorais

Por Milton Wells

É preciso que a cultura de planejamento seja instituída no Brasil não somente para projetos pontuais, mas também de forma mais ampla, na gestão das cidades e metrópoles. Esse é um dos pontos de consenso do livro Mobilidade Urbana: Desafios e Perspectivas para as Cidades Brasileiras, recentemente lançado pela Editora Elsevier.

Organizado pelo coordenador de Economia Aplicada do Ibre/FGV, Armando Castelar, em parceria com o presidente da Inter.B Consultoria Internacional de Negócios, Cláudio Frischtak, a obra é composta por 13 capítulos divididos em duas partes e redigidos por 22 autores.

A primeira cobre temas horizontais à questão da mobilidade urbana: a situação internacional, a crise nas metrópoles brasileiras e seus custos, o investimento e o financiamento na área, a regulação do transporte coletivo, o planejamento urbano e as opções de tecnologia disponíveis. A segunda apresenta estudos de caso de sete cidades/regiões metropolitanas do país: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Distrito Federal, Salvador, Curitiba e Belém.

Para a primeira parte do livro, os organizadores chamaram especialistas para discorrer sobre determinadas questões consideradas centrais para o problema da mobilidade. Para a segunda parte, foram convidadas especialistas que acompanharam de perto o planejamento e o desenvolvimento dos sistemas de transporte em cada uma das cidades/metrópoles abrangidas pelo volume. Armando Castela e Cláudio Frischtak são co-autores dos capítulos 2 e 3, respectivamente.

A obra mostra que há um grande desafio institucional, desde a necessidade de se estabelecer um arranjo de governança metropolitana até a fragilidade regulatória que dificulta a obtenção de fontes privadas de financiamento. A constituição de um corpo técnico qualificado nas diferentes instâncias governamentais é uma forma de melhorar essa questão. Dizem os autores que é preciso pensar em soluções coletivas; a adoção de meios de transporte privados pode ser mais vantajosa da perspectiva individual, mas tem efeitos negativos para o conjunto da sociedade. Ou seja, os mais pobres são os mais prejudicados, pois não têm acesso a veículos particulares.

A mobilidade deve ser discutida no âmbito do planejamento urbano. Assim, é importante que os municípios que compõem as regiões metropolitanas pensem e ajam de maneira integrada, bem como através de uma abordagem interdisciplinar. “Temos que sair da lógica do curto-prazo dos ciclos eleitorais e pensar no planejamento de médio/longo-prazo. O grande desafio é conciliar eficiência e equidade na prestação dos serviços de transporte coletivo”, concluem os autores.

 

 

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