Economizenergia estrutura cinco vezes mais linhas de financiamento para GD, depois da aprovação da lei pela Câmara dos Deputados

Apesar de o marco legal da geração distribuída ainda não ter recebido o aval do Senado, etapa que precede a sanção presidencial, a demanda por consultas sobre projetos e linhas de financiamento nesse segmento é incessante, segundo Julien Dias, sócio da consultoria Economizenergia, de Curitiba (PR).  “O mercado está muito aquecido e hoje já estamos com quase R$ 200 milhões de financiamento, correspondendo a 50 MW de potência”, acrescentou.

Ele destaca que a maior demanda tem origem no nordeste, sobretudo de projetos de energia eólica e solar, em grande parte de investidores do sul que migraram para aquela região.  No Sul, a maior procura é por projetos de CGHs, segmento que deve crescer exponencialmente devido à nova lei da GD, acredita Dias.

Para uma ideia do avanço do segmento nas operações da consultoria, no ano passado a Economizenergia fechou linhas de financiamento correspondente a cerca de 10 MW, que responderam por 10% das operações. Somente neste ano, essa rubrica evolui para 50%, igualando-se às destinadas a projetos de PCHs e eólicos, tradicional carro-chefe das operações  nos últimos anos.
Dias adverte  que apesar do grau de interesse manifestado pelo mercado,   muitos dos projetos de GD que estão sendo desenvolvidos não apresentam viabilidade econômica.

Alguns empreendedores, segundo ele, são mal assessorados e, na execução da modelagem financeira para avaliar a rentabilidade do negócio, não consideram fatores relevantes, o que acaba por mascarar o resultado.
“É importante contratar profissionais especializados em todas as etapas do projeto, para evitar a criação de falsas expectativas que, na prática, não irão se concretizar”, ressalta o sócio Emilson Costa Lima.

A crise tem afugentado alguns investidores do setor hidrelétrico, que atualmente preferem solar ou eólica, admite Dias. Todavia, o que mais preocupa o investidor é a burocracia na área ambiental e a dificuldade com a conexão, completa.
“Infelizmente o risco ambiental é algo muito difícil de mensurar e mitigar”, avalia o especialista . “A estratégia utilizada pela Economizenergia é uma linha de financiamento específica para o desenvolvimento do projeto, que permite financiar todo o licenciamento ambiental e todos os demais estudos, com carência de dois anos e prazo total de oito”.
Independentemente da fonte de energia, para o financiamento é necessário um bom planejamento, ou seja, sólida modelagem financeira, plano de negócio e “data room” organizados. Essas informações trazem segurança aos agentes financeiros, por permitir uma leitura de que o desenvolvedor da  GD tem conhecimento do que está fazendo”, completa.

Com a crise hídrica e a provável alteração da legislação para GD, o mercado vai continuar bastante aquecido em 2022, projeta Lima. “O Brasil deve crescer e, por conseguinte, a demanda por energia também”, afirma. “A crise hídrica não vai possibilitar o enchimento dos reservatórios em um intervalo de tempo curto e isso deve gerar oportunidades de investimento com bom retorno no setor de geração de energia elétrica”, prevê.
De acordo com ABGD, o Brasil já conta com um volume de 6 GW no segmento de GD, dos quais a energia solar fotovoltaica responde por  95,8%; seguido pela biomassa ( 01,6%); CGH ( 0,94%) e eólica (0,22%).

 

 

 

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