Eletrisa fecha contrato de operação remota com duas PCHs e anuncia investimentos de R$ 150 milhões no RS

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PCH Barra das Águas/Divulgação

Milton Wells

A Eletrisa, sediada em Blumenau (SC), especializada em gestão administrativa, operação e manutenção de centrais hidrelétricas, acaba de fechar contrato de operação remota e manutenção com as PCHs Barra das Águas e Ribeirão Manso, ambas de Santa Catarina, com 8,5 MW e 11,7 MW de potência instalada, respectivamente.

No setor de energia desde janeiro de 2007, a Eletrisa atua na gestão de seis PCHS das quais participa, em três estados, cuidando dos interesses de mais de 400 acionistas. E ainda da operação e manutenção de outras nove, somando quinze usinas com potência total correspondente a 82,2 MW.
Operação remota

Após dois anos de estudos e desenvolvimento, desde outubro do ano passado a empresa  a atua no segmento de operação remota, no qual foram investidos recursos na aquisição de software e hardware  em um moderno Centro de Operações de Geração (COG) e na ampliação e treinamento de equipe. “É por meio desse Centro que a empresa administra a distância as PCHs, o que permite antecipar as chuvas e consequentes ondas de cheia, além de planejar manobras de deplecionamento dos lagos. Com isso, é possível otimizar os horários de atuação e maximizar a geração, evitando, o quanto possível, o vertimento das barragens”, explica Olinto Silveira, diretor da Eletrisa.

De forma remota e online, a empresa opera durante os 365 dias do ano, 24 horas por dia, em estreita relação com suas equipes de engenheiros especializados nas áreas de mecânica, elétrica e automação. Dessa forma, antecipamos eventuais irregularidades e indisponibilidades, reduzindo de forma significativa os custos de manutenção, acrescenta Silveira. “Nosso histórico de operação registra uma indisponibilidade abaixo de 3%”, complementa o empresário.
Geração horária

A decisão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) de implantar a geração horária a partir de 2020, em testes, e de forma efetiva em 2021, caiu como uma luva a esta iniciativa, porque torna indispensável a operação remota no sentido de se aproveitar os melhores horários de geração e manter a usina sempre em operação otimizada, buscando o máximo de geração, agrega Silveira.

Por meio de software dedicado, as equipes responsáveis pela manutenção procedem a conferência sistemática de todos os itens das usinas, como prazos de vencimento, medição de aterramento, termografia, trocas e testes de óleo e outros. “Isso permite dispor de uma relação sempre atualizada daquilo que devem verificar e o tipo de serviço a cumprir. A isso se junta o check list que os mantenedores locais devem diariamente proceder, mantendo-se estreito controle do estado de operação dos equipamentos”.

“Temos muito orgulho dos resultados do nosso trabalho que permitem desenvolver um know-how próprio na área”, diz Silveira.

Existem duas importantes áreas de gestão, ressalta Silveira. Uma inclui a operação e manutenção com operação remota (COG), o que assegura a máxima disponibilidade do ativo na geração de energia. A outra é a gestão administrativa apurada e especializada, em que, além da transparência e correção dos atos administrativos, desenvolvemos estratégias de sazonalização e de compra e venda de energia para neutralizar os eventuais efeitos do GSF, garantir o balanço lucrativo e a tranquilidade dos acionistas, com uma distribuição estável de dividendos, complementa.

De acordo com Silveira, muitos empresários investem em PCHs atraídos pela rentabilidade do negócio. Ocorre que a maioria tem dificuldades com a complexidade do setor que é onde entra a Eletrisa com a sua expertise e know-how para auxiliá-los a alcançar o retorno esperado. “Essa é a meta. Nossa satisfação é ver a usina operando com o mínimo de indisponibilidade e o máximo de lucro. Às vezes, poderíamos arriscar estratégias mais arrojadas em busca de maior rentabilidade, mas com maior risco. Mas não é isso que os nossos investidores desejam. Eles querem uma gestão ortodoxa e de menor risco, que proporcione rendimentos mais estáveis. E é isso que nos esforçamos em realizar, e até o momento com sucesso, apesar de cenários hidrológicos desfavoráveis e das mudanças do marco regulatório”.

A Eletrisa, que atua com 15 colaboradores, deverá encerrar o ano com um crescimento de 30% em suas receitas, em comparação ao ano passado. Para 2020 estão previstos investimentos superiores a R$ 150 milhões na construção de seis novas usinas no Rio Grande do Sul.

Logo após a emissão das licenças ambientais, a empresa iniciará a construção das PCHs Touros II, III, IV e V, além da Cerquinha III, em Bom Jesus, e da PCH Silveira III, em São José dos Ausentes. A essas usinas se somarão duas outras PCHs, de outro empreendedor, que compartilharão a mesma linha de transmissão: a Cerquinha II e a Silveira II.
“Temos a registrar o excelente trabalho que o Comitê de Monitoramento à Implantação das Pequenas Centrais Hidrelétricas (Compech) vem realizando no âmbito dos licenciamentos ambientais. Dessa forma, o RS certamente deverá atrair novos investimentos hidrelétricos”, pontuou Silveira.

A Eletrisa, com as obras previstas, passará a exercer a gestão de mais de 120 MW, destinados, em sua maior parte, ao mercado livre.

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