Energias renováveis, na próxima década, devem atrair investimentos superiores a R$ 14 bilhões no RS, prevê Scarabelot da Engie

Álvaro Scarabelot, da Engie Brasil Energia/Divulgação

Uma forte expansão das energias renováveis no Rio Grande do Sul para a próxima década é o que prevê Álvaro Scarabelot, gerente de gestão de riscos e inteligência de mercado, da Engie Brasil Energia, em entrevista à MODAL. Apenas os segmentos de energia eólica e de centrais hidrelétricas, o estado deverá atrair cerca de R$ 14 bilhões, o que poderá  ser ampliado de forma significativa com investimentos em Geração Distribuída, avalia o executivo.
Uma boa parte desses investimentos poderá contemplar o mercado livre que a partir de 2020 terá uma redução gradual dos limites para o ingresso, saindo de 2.000 kW e chegando a 300 kW para todos os consumidores atendidos em alta e média tensão, o que inclui indústrias e comércios de médio porte.
Acompanhe, a seguir, a entrevista com Álvaro Scarabelot:

Com o PL232/2016, o mercado livre deve abrir para os pequenos consumidores e deve crescer o número de pessoas e entidades que podem escolher seus fornecedores. Qual o impacto que essa legislação pode trazer para a indústria gaúcha?
O projeto de lei PL232 irá trazer benefícios principalmente para os pequenos produtores da indústria gaúcha. A legislação mais recente que aborda o tema abertura do mercado livre de energia elétrica é a Portaria nº 314, de 7 de agosto de 2019, publicada no diário oficial da União. Nessa Portaria, ficou definido que até 31 de janeiro de 2022 deverão ser realizados estudos sobre as medidas regulatórias necessárias para permitir a abertura do mercado livre para os consumidores com carga inferior a 500 kW e definição de proposta de cronograma de abertura iniciando em 1 de janeiro de 2024. Atualmente a carga do Rio Grande do Sul gira na faixa de 3,1 GW e o segmento da indústria representa 1/3 dessa carga, com aproximadamente 33 mil consumidores. A abertura do mercado livre, se acontecer para todos os consumidores de média tensão – demanda contratada entre 30-500kW-, irá beneficiar mais de 30 mil consumidores com conta de energia abaixo de 80 mil reais em média -pequenos consumidores de energia. Contudo, em termos de volume de energia o impacto é pouco expressivo, pois os consumidores que serão beneficiados consomem pouca energia. Estima-se que o consumo de energia dos pequenos consumidores de média tensão a serem beneficiados com a abertura do mercado seja de 7% da carga nacional.

Como vê o crescimento dos investimentos em geração no RS a partir da nova lei? Quais os segmentos que devem ter maior volume de investimentos?
Os investimentos em geração no RS ao longo da próxima década devem ser puxados pela geração eólica com aproximadamente  R$10 bilhões em investimentos e Pequenas Centrais Hidrelétricas com R$ 4 bilhões. A micro e minigeração distribuída com as fontes fotovoltaica, eólica, termelétrica e CGH também devem se projetar com grande capacidade de expansão. O mercado de gás, após as definições regulatórias serem definidas, deve se projetar como alternativa importante também.

Hoje em média, o que é negociado pelo setor no mercado livre no RS?
Considerando os números divulgados pela Aneel, somando-se as distribuidora do estado, o percentual médio de consumo do mercado livre representa aproximadamente 22% da carga total do RS.

 Qual o preço por  MWh praticado no ACL e a tarifa média no mercado cativo? Diferença percentual entre as duas.
A aplicação das tarifas de energia elétrica aos consumidores de energia é complexa e depende de diversos fatores como: nível de alimentação, modalidade tarifária, localidade, entre outros. O custo médio da energia tem relação direta com o perfil de consumo do consumidor e a sua tarifa de aplicação. De toda a sorte, considerando a tensão de conexão mais comum da indústria, um perfil típico de consumo e as médias das tarifas praticadas entre as distribuidoras do RS, o valor médio da energia no mercado cativo seria de aproximadamente 500-600 R$/MWh com impostos (sem bandeira tarifária) e para o mercado livre entorno de 400-500 R$/MWh. O Mercado livre de energia hoje tem apresentado para os consumidores do RS uma economia média na faixa de 15-20%.

Qual seria hoje, em uma estimativa, o percentual da indústria gaúcha que compra energia no mercado livre?
Considerando os números atuais de consumo por estado da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), do período de 2019, mais de 2/3 dos consumidores industriais estão no mercado livre no RS.

Quanto a indústria brasileira que optou pelo mercado livre já economizou nos últimos  anos?
Em recente levantamento realizado pela a Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abracell) apontou que houve economia de R$ 118 bilhões nas faturas de energia para os consumidores que optaram por migrar para o mercado livre de energia nos últimos 16 anos.

 

 

 

 

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