Escassez de encomendas empurra setor metalmecânico da Serra Gaúcha para nível crítico

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Reomar Slaviero, presidente do SIMECS Crédito: Divulgação

O volume reduzido de encomendas está levando uma boa parte das três mil indústrias do polo metalmecânico da Serra Gaúcha a um nível crítico na condução das suas operações. O quadro afeta principalmente micros e pequenas empresas, responsáveis por mais de 70% dos empregos do setor.

Reomar Slaviero, presidente do SIMECS (Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico) alerta para o perigo da elevada descapitalização motivar o encerramento das atividades de várias unidades em um horizonte não muito distante. “O risco é grande se a economia não se movimentar logo” diz.

Endividamento preocupante

Slaviero lembra que grande parte da geração dos negócios desse grupo está fortemente ligada ao segmento de bens de capital, que por sua vez, possui estreita dependência das linhas de financiamentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. “O BNDES é a única saída”, acentua o empresário caxiense. O endividamento, informa o empresário, alcançou o ponto limite, afetando até mesmo o recolhimento de tributos.

Levantamento do SIMECS mostra que no primeiro semestre deste ano a queda no faturamento foi de 0,98% sobre mesmo período do ano passado. No acumulado de 12 meses o recuo foi de 12,37%. “Entre 2015 e 2016 a indústria caxiense retraiu quase 44%”, ressalta o dirigente. No período de 2013 a 2016 um total de 18,2 mil postos de trabalho desapareceram. “Ano passado foram extintos 3,7 mil”, acrescenta.SIMECS

Pior ano da década

Algumas indústrias começam a esboçar resultados promissores, o que para o dirigente, aponta em duas direções: a situação parou de piorar; e que um eventual crescimento da economia não vai recuperar as perdas passadas recentes. “Analisando os cenários, a estimativa de faturamento neste ano é de nova queda. Já sabemos que será o pior ano em receitas desde 2000. Uma realidade que pede cautela, e que coloca as empresas em um momento difícil e preocupante”, analisa.

O quadro atual se reflete na negociação salarial em curso, a qual se Slaviero espera que tenha bom termo. “Isso significa um reajuste adequado à situação por que passam nossas empresas. E que, além de repor as perdas salariais, mantenha o emprego de nossos trabalhadores e a saúde de nossas empresas”, finalizou.

Por Guilherme Arruda

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