Estado ganha associação de direito privado para expandir modal hidroviário

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Incentivar e atrair investimentos industriais em municípios com acessos hidroviários de forma a induzir o uso de hidrovias na matriz do transporte estadual. Esse é um dos principais objetivos da Associação Hidrovias RS, cujo conselho será formado por representantes de empresas, federações setoriais, do governo estadual e de municípios com acessos hidroviários, informou Miguel Pires, assessor técnico da Associação Brasileira de Terminais Privados (ABTP), durante o seminário Parques Hidroviários: Oportunidades de Negócios,  promovido, nesta quinta-feira, 27 de agosto, pela Sociedade de Engenharia do Rio Grande do Sul (Sergs).
De acordo com Pires, a entidade, sem fins lucrativos, deverá contar com uma diretoria profissionalizada e um fundo privado remunerado pelas operações dos terminais públicos e privados.  A nova entidade pretende contribuir para o desenvolvimento do potencial de investimentos representado pelos 65 municípios com acesso a hidrovias.
A ideia começou a se fortalecer a partir do engajamento da ABTP, Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), Federação do Comércio RS (Fecomércio)  e Federação da Agricultura do RS (Farsul). Em maio último, ganhou a adesão da Federação das Associações dos Municípios do RS (Famurs). A partir de então foi constituído um grupo de trabalho ao qual se somou o Badesul e o BRDE.
Hoje, segundo Pires, o movimento de cargas por meio de hidrovias no Rio Grande do Sul representa apenas entre 5 a 6 milhões de toneladas por ano, basicamente formado por derivados de petróleo, petroquímicos, fertilizantes, madeira e celulose. Nessa linha, a nova entidade pretende contribuir para o desenvolvimento do potencial atração de negócios representado pelos 65 municípios com acesso a hidrovias.
“O Rio Grande do Sul sempre tratou a hidrovia como modal de transporte. Nunca conseguiu montar o seu modelo de desenvolvimento em torno dos rios, sempre foi pela rodovia”, disse Pires.      De acordo com o especialista,  hoje, no estado, o único distrito industrial que é vinculado à hidrovia, mas que não foi planejado pelo estado, é o polo petroquímico de Triunfo. “ Algumas outras iniciativas industriais se localizaram próximos à hidrovia, mas sem o a correspondente ferramenta de fomento aliada ao conceito de organização territorial e de infraestrutura. Resultado: hoje o movimento que se tem nas hidrovias do estado convive com demandas sazonais vinculadas ao setor agroindustrial na sua maioria, enquanto a produção industrial que escoa regularmente se utiliza muito pouco da hidrovia.”   “É preciso identificar e desenvolver regiões com potencial suficiente para proporcionar a demanda que a hidrovia exige”, continuou Pires.
A ideia de fomentar o desenvolvimento de parques hidroviários no estado já está sendo seguida por pelo menos três municípios: Uruguaiana, Rio Pardo  e Montenegro.
A Associação Hidrovias RS ainda está em fase de elaboração de estatuto e somente passará a se constituir formalmente a partir de convênio a ser firmado com o governo do estado e municípios.
O prefeito de Rio Pardo, Fernando Schwanke, foi indicado coordenador do grupo técnico responsável pelos trâmites que antecedem a criação da entidade.

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