Hydrofall recupera PCH considerada no limite de sua viabilidade com a redução de custos do projeto original

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PCH Xavantina/ Divulgação
As dificuldades para a obtenção de licenciamento ambiental, além do baixo crescimento do consumo que impacta diretamente o preço da energia recebida pelo gerador, estão impondo grandes desafios aos empreendedores e, não raro, muitos projetos se tornam inviáveis.

Foi exatamente um desses cases, da PCH Xavantina (*), localizado no rio Irani, entre os municípios de Xanxerê e Xavantina (SC),  que acabou caindo nas mãos do engenheiro Daniel Faller, da Hydrofall Consultoria, de Rio do Sul (SC), empresa especializada na gestão de projetos de geração de energia renovável.

Avaliada como no “limite de sua viabilidade”, a usina, após uma série de modificações em seu projeto original, passou a ser considerada como “altamente competitiva”, diz Faller na entrevista a seguir:

É possível trabalhar na otimização de projetos considerados no limite de sua viabilidade devido a uma série de fatores impostos pela conjuntura?

Acredito ser possível adequar os projetos para que seja possível buscar sua viabilidade ambiental e também e também econômica. Muitas vezes, à medida que um estudo vai amadurecendo, conseguimos perceber oportunidades para otimizações energéticas e de custo de forma a resgatar a competitividade dessas usinas. A HydroFall desenvolve muitas atividades com esse objetivo. Temos atuado com diversos empreendedores em projetos que permaneciam apenas no papel e que passaram a incrementar as fontes de energia renovável em nossa matriz.
 Você pode citar um exemplo e mostrar as dificuldades  e limitações que existiam e como foi possível reverter?
 Dos projetos que atuamos, o  mais interessante como modelo é o da PCH Xavantina. Inicialmente, a usina era composta por uma barragem de concreto com 15 metros de altura e um túnel, com mais de 600 metros de extensão. Tudo isso para uma usina com apenas 6 MW e 20 metros de queda bruta. Ao final da consolidação do projeto de engenharia, chegamos à conclusão de que a usina era inviável para a tarifa de energia praticada na época e iniciamos um trabalho em busca de uma solução para viabilizar o projeto.
Quais foram as etapas do processo?
Em conjunto com a empresa projetista, foram estudadas muitas alternativas. Por fim,  concluímos que somente uma completa mudança no conceito do projeto poderia torná-lo viável. Restava também o desafio de compatibilizar eventuais mudanças no processo de licenciamento ambiental e então estudamos uma forma de associar uma obra de menor custo com a redução dos impactos ambientais. A solução foi desenvolver um novo arranjo com geração ao pé da barragem, eliminando o elevado custo do circuito de adução e também o trecho de vazão reduzida. Com isso o empreendimento ganhou 14% em energia e o custo índice foi reduzido de R$ 7.500,00/ kW para menos de R$ 6.500,00/kW. Para redução do custo da barragem foi adotado um arranjo com vertedouro lateral e uma barragem de enrocamento com núcleo de argila com 26 metros de altura.
 Essas mudanças foram suficientes para viabilizar o projeto?
 A modificação do projeto trouxe um ganho competitivo muito grande e, sem isso, seria impossível tirar o projeto do papel. Porém tivemos que trabalhar muito no planejamento da obra para a redução dos custos indiretos na etapa de construção e na escolha adequada dos equipamentos para garantir uma melhor performance para a usina. O prazo original da obra era de cerca de 18 meses, porém conseguimos, em conjunto com os fornecedores de equipamentos e obras civis, uma redução de prazo para 14 meses. E isso fez muita diferença em um projeto que estava no limite da viabilidade.
 Quais os conceitos inovadores introduzidos na usina?
Acredito que tudo na PCH Xavantina foi muito diferente do tradicional, a começar pelo fato de termos feito uma barragem de enrocamento em substituição a barragem de concreto. Tivemos de fazer uma gestão de risco, desenvolvendo um projeto especial para o desvio do rio e aproveitando a estrutura de desvio para construir o vertedouro. Além disso, todos os equipamentos foram desenvolvidos para buscar a máxima produção de energia, com o menor custo de manutenção. A topografia local impunha muita restrição de espaço e, em conjunto com a empresa de projeto e os fabricantes dos equipamentos, conseguimos implementar muitas novidades que serviram de base para muitos outros projetos.
 O que fica de aprendizado para a HydroFall?
Penso que o principal aprendizado da PCH Xavantina foi o cuidado com os detalhes. Todas as empresas envolvidas estavam com o espírito de buscar soluções e passaram a trabalhar o projeto com novos conceitos. Somamos muitas experiências e muitas mãos nesse trabalho, desde a vontade dos empreendedores em viabilizar seu projeto até a parceria com todos os fornecedores. Essa foi a base do sucesso dessa usina.
 O cenário para viabilização de pequenas hidrelétricas  está pior nos últimos anos?
Com certeza, os desafios aumentaram muito. Na última década vimos ainda uma enorme mudança em nossa matriz energética com um forte crescimento da energia eólica e mais recentemente da energia solar. Esses fatores foram determinantes para muitas mudanças no segmento das pequenas usinas hidrelétricas, que passaram a ter como desafio adicional aos enormes entraves burocráticos a limitação de custo da energia para sua viabilização. Se por um lado a abertura do mercado criou um ambiente favorável ao estudo e desenvolvimento de novos projetos de pequenas hidrelétricas, por outro o pequeno crescimento do consumo e a inclusão de novas fontes na matriz limitou a viabilização de muitos desses projetos, uma vez que se tornaram inviáveis economicamente. Porém o Brasil possui grande experiência na engenharia de projeto e construção de hidrelétricas e tem aproveitado esse conhecimento para garantir a viabilização de projetos nesse cenário desfavorável às pequenas usinas.
(*) A PCH Xavantina iniciou sua operação comercial em 2015.  A Usina está localizada no Rio Irani, que separa os municípios de Xanxerê e Xavantina.  A usina foi construída por meio de uma parceria entre a Ritmo Energia e a Celesc Geração S.A . É composta por um circuito de geração com duas unidades geradoras e soma potência instalada de 6,075 MW. Para sua construção, foram investidos R$ 40 milhões, provenientes de recursos dos próprios investidores e do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

 

 

 

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