Ijuí: um rio, uma PCH centenária e sua sucessora

PCH Sede II, casa de máquinas/Divulgação

O rio Potiribu, afluente da margem esquerda, no Alto Ijuí, margeado pela área urbana de Ijuí, pertence à bacia do rio Ijuí, que com a força de sua cascata  começou a iluminar o município de mesmo nome em junho de 1923, vai continuar presente na vida dos ijuienses.

Mesmo após a descontinuidade da usina da Sede, conhecida como “usina Velha”, conforme lei aprovada pela Câmara de Vereadores e sancionada pelo prefeito Valdir Heck, em 6 de outubro de 2017, uma nova usina deverá entrar em operação no final deste ano.

Trata-se da  PCH Sede II/Centenária, de 7,900 MW de potência instalada, nome dado em homenagem à histórica usina, a mais antiga do RS, que passa a fazer parte da história do município graças a uma parceria entre a prefeitura e a Ceriluz.

A cooperativa, além de investir R$ 55 milhões no empreendimento – dos quais R$ 30 milhões de financiamento do BRDE-, proporcionará um incremento na renda do município de Ijuí devido à geração de ICMS na venda da energia, a qual retorna ao município através do Fundo de Participação dos Municípios. E ainda irá fornecer 50 mil metros cúbicos de pedra, resultantes do túnel da unidade e que serão destinados para a ponta norte do aeroporto municipal de Ijuí para sua futura ampliação.

A usina velha também seguirá sendo utilizada como ponto turístico, com parte da infraestrutura sendo recuperada pela Ceriluz por meio da Ijuí Centenária Geração SPE Ltda., da qual a Ceriluz tem 99% do capital social.

“Com essa ação, estamos garantindo o patrimônio do município e contribuindo para o seu desenvolvimento econômico, com a geração da mais energia por parte da Ceriluz, haja vista decisão da Aneel, que levaria ao fechamento da usina Velha futuramente, tendo em vistas os avanços tecnológicos verificados pelo setor”, disse o prefeito ao sancionar a lei.

Construída na Linha 04 Leste, em Ijuí, a PCH terá uma barragem acima da Cascata Wazlawick, túnel de adução de aproximadamente dois quilômetros e casa de máquinas próxima à Associação dos Apicultores, com um declive total de aproximadamente 40 metros.

O reservatório da PCH Sede II terá extensão de 355 metros e área alagada de 1,67 hectares, dos quais  0,95 corresponde à calha do rio, havendo acréscimo de  apenas 0,72 hectares na lâmina de água para formação do reservatório. A PCH Sede II será conectada diretamente à SE Ceriluz 3, que se encontra em fase de implantação.

A faixa de APP da PCH Sede II foi definida em 30 metros, pela LI, perfazendo uma área de 2,60 hectares no entorno do reservatório. A APP se encontra isolada e boa parte já possui vegetação em estágio médio de regeneração, enquanto os locais desprovidos de vegetação estão recebendo o plantio de mudas de espécies da flora nativa .No trecho da usina estão registradas 23 espécies de peixes, nenhum migrador de longa distância.

O Relatório Ambiental Simplificado (RAS), estudo que contempla a caracterização do meio físico, biótico e socioeconômico da área de implantação da PCH Sede II, bem como a avaliação dos impactos ambientais e proposição de medidas mitigadoras foi protocolado no ano de 2014 junto à Fepam, para a solicitação da Licença Prévia (LP).

Esta foi emitida em agosto de 2016 e em 2017 foi protocolado junto à órgão ambiental o pedido de Licença de Instalação (LI).  A LI, licença que autorizou às obras de implantação do empreendimento foi emitida em março de 2018. As obras de implantação tiveram início em julho de 2018. E em 26 do mês passado, a Ijuí Centenária obteve junto à Fepam a autorização geral para enchimento do reservatório que deve transcorrer neste mês de julho.

 

CGH Igrejinha/ Divulgação
CGH Igrejinha/ Divulgação

Dona de três PCHs em operação, com 20,9 MW de potência instalada, e participações em uma CGH, de 3,9 MW (40%), e em usina térmica a base de casca de arroz, de 8 MW (10%), a Ceriluz deverá completar até o final do ano outra usina de 4,85 MW, com investimentos de R$ 30 milhões: a CGH Igrejinha, que está sendo construída no leito do rio Ijuizinho, na divisa entre os municípios de Boa Vista do Cadeado e Joia A SPE Boa Vista do Cadeado Energia Ltda, controladora, é formada com uma participação de 59% da Ceriluz e de 41% da Coprel.

 

 

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