Leilões de energia eólica: o Rio Grande do Sul está de volta ao jogo, diz Sindieólica

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Desde 2014 sem vencer nos certames de energia eólica, o Rio Grande do Sul está de volta ao jogo, segundo o empresário Guilherme Sari, presidente do Sindicato da Indústria de Energia Eólica (Sindieólica-RS).

“Estamos voltando ao jogo neste momento. Até então não tínhamos como disputar leilões ou mesmo incrementar geração por falta de conexão”, diz Sari que, desde o final de 2018, em decorrência dos resultados do último leilão de linhas de transmissão, nota um crescente otimismo entre os empreendedores do setor no RS, aliado à busca de informações sobre o estado de vários players do país e do exterior.

“Temos grandes desafios como competitividade com outros estados, preços baixos nos leilões de energia, falta de uma cadeia industrial entre outros pontos”, afirma. “Entretanto, o fato de o governo se posicionar de forma a colocar as renováveis como matriz importante na cadeia industrial e vislumbrar as eólicas como uma grande oportunidade de viabilizar negócios para o RS proporcionam uma motivação extra para atrair os investidores ao estado, acrescenta.

A seguir, leia sua entrevista à Modal em que avalia a última reunião do  Comitê de Planejamento Energético do Estado do Rio Grande do Sul (Copergs), realizada em 12 de abril no Centro Administrativo Fernando Ferrari, em que foi apresentado o estudo de Leontina Pinto, da consultoria Engenho: Matriz Energética Brasileira – Um Olhar para o Futuro.
Qual a sua avaliação sobre a apresentação do estudo de Leontina Pinto na reunião do Copergs?
O trabalho da Leontina Pinto deu a fundamentação necessária para mostrarmos a importância do incremento de renováveis no Sul. Mostra que precisamos incentivar o crescimento de eólicas no submercado Sul para garantir estabilidade do sistema e ainda diminuir a insegurança e o custo de energia, devido à proximidade do centro de carga

Quais as principais conclusões desse estudo? O que pode contribuir para a instituição de leilões regionais por fontes?
Temos a questão de planejamento e também de custos globais sendo colocados na balança. Se por um lado, o leilão regulado é bom pela busca do menor preço – competição por projeto e fonte. Por outro, não beneficia o maior planejamento do sistema, pela dificuldade de definição de onde virá o empreendimento vencedor, e ainda temos a questão da intermitência, no caso de renováveis, que leva à necessidade do uso de outras fontes em determinados momentos que impactam na conta de energia dos consumidores de forma geral, levando a custos que não são colocados na conta de forma direta. Nesses quesitos, contamos com o direcionamento de leilões específicos em centros de demanda de energia.

Quais as próximas etapas a serem conduzidas pela entidade para divulgação desse estudo?
Este estudo vem sendo colocado como base da necessidade do crescimento de eólicas no RS. Queremos que sirva de embasamento no objetivo do fortalecimento da autonomia energética regional. Estamos estruturando um plano de incentivo as renováveis. Obviamente que junto a este estudo precisamos estruturar o processo para que os projetos aconteçam. Seja na questão dos licenciamentos, conexão, apetite dos investidores etc.

Como avaliou os cenários apresentados pelas empresas encarregadas das obras das novas Linhas de Transmissão na reunião do Copergs?
Muito positivo. Estão comprometidas e querendo resolver seus negócios. Não há duvidas que todas têm capacidade e competência para atingir estes objetivos. Mas assim como o governo, outras entidades e empresários, queremos acompanhar de perto para ver acontecer e cobrar, se for preciso. Não podemos perder essa oportunidade de termos essa infraestrutura de conexão. Até mesmo porque tem novas demandas e regiões potenciais para se atender. Assim novas demandas surgirão.

Qual a sua avaliação sobre a apresentação do  ONS e o pelo papel desempenhado pelo órgão  de coordenação e controle dessas obras?
Entendemos como fundamental e este é o seu papel. Cobrar, fiscalizar e auxiliar para que sejam atendidas as demandas de operação possível. Sabemos da importância dessas linhas e subestações e também do grande potencial renovável que o estado tem para atender a criação de infraestrutura realizada.

Qual a sua impressão sobre os prazos prometidos pelas empresas encarregadas das obras de LTs?
Muito otimista, uma vez que tem uma grande evolução ambiental realizada e estamos falando de grandes players do setor. Somos otimistas em relação aos prazos de entregas. Até mesmo porque, na antecipação, existe a RAP que é a receita antecipada na transmissão de energia que é um grande beneficio para o empreendedor que conseguir adiantar sua entrega.

Em relação ao congresso Brasil Wind Power, como a entidade pretende dar visibilidade ao novo potencial de conexão do estado a ser viabilizado pelas novas obras?
Contamos com diversas frentes no BWP. Uma delas é a presença do governador na abertura do evento. Este momento é crucial e muito importante para visibilidade do estado. O outro ponto é a presença de uma grande comitiva do RS e apresentação de um plano de estado para mostrar que estamos preparados e chamando os investidores para o estado com as devidas oportunidades e benefícios de poder investir em uma região com um setor industrial forte e com um potencial eólico importante dentro do cenário nacional.

 

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