Leite ratifica posição do RS ao ministro Bento Albuquerque sobre os benefícios dos leilões regionais de energia

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Governador Eduardo Leite e comitiva com o ministro Bento Albuquerque/ Divulgação Palácio Piratini

O governador Eduardo Leite e o secretário de Meio Ambiente e Infraestrutura, Artur Lemos, encaminharam ao ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, em 12 de 11, em reunião no Ministério de Minas e Energia, em Brasília, a proposta de um novo modelo de leilão de energia de forma a contemplar as vocações regionais.

Na opinião de Lemos, atualmente o RS acaba competindo com outras regiões que contam com algum tipo de subsídio, como fundos constitucionais, como ocorre no caso das regiões Norte e Nordeste.

“O Sul e o Sudeste são os maiores demandantes de energia e a instalação de uma usina geradora de energia depende de uma transmissão menor, portanto, gera menores perdas, e isso deveria estar contemplado nos leilões”, defendeu o governador.

O ministro sugeriu uma reunião entre os técnicos da Sema e da Secretaria de Planejamento Energético do ministério para avaliar critérios e especificidades, para explicar o atual formato e para ouvir sugestões.

Lemos explicou que a medida busca aumentar a segurança no abastecimento de energia elétrica regional, através do uso das suas principais fontes. Além disso, estimula o desenvolvimento de projetos e a atração de investimentos dentro das vocações energéticas locais.

Atualmente, nos leilões realizados, os projetos de geração de energia elétrica concorrem independente da sua localização no território nacional e o seu despacho é feito de forma centralizada, imputando a necessidade da transmissão em longas distâncias.
Para o secretário, a regionalização desses certames, prevendo o uso das aptidões locais e aproximando a geração de energia dos centros de carga, reforçaria a infraestrutura eletro-energética regional; aumentaria a segurança no abastecimento; diminuiria o custo global do sistema; contribuiria com a modicidade tarifária e aumentaria a competitividade dos projetos.

Artur Lemos Júnior ressalta ainda que a região sul tem grande potencial de energia eólica, solar, hídrica, biomassa e carvão mineral.

Roberto Zuch, presidente da Associação Gaúcha de Fomento às Pequenas Centrais Hidrelétricas  (AGPCH), afirmou à MODAL que  existem estudos técnicos que demonstram os benefícios econômicos e de segurança energética para todo SIN (Sistema Interligado Nacional).

Esses estudos, segundo Zuch,  justificam a importância de colocar mais geração nos subsistemas Sul e Sudeste, que estão localizados próximos do centro de carga do SIN, trazendo economia e segurança para todo o Brasil. Nos leilões federais os projetos de geração localizados nesses subsistemas não estão conseguindo alcançar esse objetivo, trazendo problemas estruturais ao sistema, como restrição nos intercâmbios de energia entre os subsistemas, elevadas perdas através de extensas linhas de transmissão, e falta de segurança no abastecimento em caso de perdas dessas linhas, acrescentou.

Guilherme Sari, presidente do Sindicato das  Indústrias de Energia Eólica do RS (Sindieólica-RS) lembrou o estudo realizado pela  Engenho Pesquisa, Desenvolvimento e Consultoria (RJ), assinado pela especialista Leontina Pinto, denominado  Matriz energética brasileira, um olhar para o futuro, o qual concluiu que a expansão eólica no Sul do país pode proporcionar o aumento da capacidade  de gestão dos reservatórios – não apenas da região, mas também do Sudeste, com reflexos para todo o país.

“O aumento da regulação e da capacidade de geração leva à redução do despacho térmico, e consequentemente à economia de custos e emissões. Trata-se de uma vantagem competitiva da região Sul, já que o Nordeste não dispõe de reservatórios hidroelétricos em condições de operação normal”, relata a especialista.

Para Leontina Pinto, a instalação de geração na região Sul aumenta a confiabilidade regional e nacional, na medida em que nos períodos em que geram as eólicas substituem a energia hidroelétrica, que “guarda suas reservas” e pode responder mais efetivamente às emergências.

Conforme  o titular da Sindieólica-RS, o estudo de Leontina Pinto serve não somente para valorizar o incremento da fonte eólica no Sul, como estabilizar o seu crescimento natural e obrigatório na região Nordeste que tem os melhores recursos para as fontes solar e eólica.

” A questão é que o Sul, nos modelos atuais de contratação de energia do mercado regulado, não tem a capacidade de competir em preços, cada vez menores, com os praticados no Nordeste. Nessa linha, devido à importância de assegurar o crescimento da matriz no Sul para geração da estabilidade e redução dos custos de geração, propomos um formato diferenciado de contratação de energia que valorize os aspectos positivos que a fonte trará quando inserida neste contexto e neste mercado.”

Sari  nota ainda que  no caso de fontes renováveis é preciso considerar a questão da intermitência de geração devido à falta de vento ou sol em determinados momentos e horários, levando ao consumo de outras fontes da matriz. “Este é outro ponto de diferenciação que o estudo da Engenho demonstra”, sustenta.

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