Logística do abastecimento é um dos pilares da UTE São Sepé, a primeira usina de biomassa com casca de arroz contemplada em leilão de energia do RS

UTE São Sepé//Divulgação

“Além de evitarmos uma preocupação ambiental com o descarte da casca, reduzimos despesas e ainda somos remunerados, mesmo que seja por um valor simbólico.” É dessa forma que Giancarlo Müller Pozzebon, diretor industrial da Cooperativa Tritícula Sepense ( Cotrisel), avalia os benefícios dos primeiros dois anos em que a passou a abastecer a UTE São Sepé – primeira usina de biomassa com casca de arroz contemplada em leilão de energia do RS (A-3 de 2025).

A cooperativa, localizada a 15 km da unidade, que garante 50% da quantidade de casca utilizada  pela unidade– o restante é completado por cinco outros produtores da região–,  antes do contrato com a UTE era obrigada a manter caminhões para o transporte da casca derivada do beneficiamento do arroz para locais em que era utilizada como adubo orgânico e que agora tornou-se desnecessário.

Conforme Pozzebon, em todas as semanas ele mantém contato com o operador da usina para planejar o envio do insumo. Os contatos também servem para avisá-lo do período em que devido à manutenção não haverá o transporte, o que permite um prazo para que seja definido um substituto do fornecedor.

A  logística de abastecimento do combustível é um dos principais pilares da UTE São Sepé, de 8 MW de potência instalada, localizada no município do mesmo nome, distante 265 km de Porto Alegre.

A usina, pertencente à Creral, de Erechim (RS), que consome 200 toneladas por dia do insumo, está sendo atendida por oito caminhões que  fazem de 20 a 35 viagens por dia desde os fornecedores, em uma distância entre 35 km e 100km.

Cada caminhão possui piso móvel, com capacidade para levar 100 m³ de casca, o que equivale a 13 toneladas. Este tipo de transporte permite transportar o máximo de casca de arroz devido a uma baixa densidade, muito volume e pouco peso. O piso deslizante é ligado para descarregar mais rapidamente a casca.

Em menos de 30 minutos os caminhões são carregados e seguem até o local da usina, onde a carga, em menos de 20 minutos, é arremessada a uma moega.

Cascadearroz2
Toda a casca de arroz, aproximadamente 70 mil toneladas por ano, é transformada em energia por meio de uma turbina que recebe vapor de uma caldeira a uma pressão de 45 kg/cm² e uma temperatura de 420ºC. Esse vapor é que faz girar a turbina, que por sua vez faz girar o gerador elétrico. Uma tonelada de casca de arroz gera 1 MWh de eletricidade.

No primeiro ano de operação, a usina produziu  6,2 MW médios, que resultaram em 50.000 Kwh. No segundo ano houve uma pequena alteração na geração média devido à redução do PLD. E também em razão de uma menor oferta do insumo contratado aos fornecedores devido à alta no preço do arroz que os levou a aumentar suas exportações.

De acordo Luiz Antônio Leão, CEO da Enerbio, responsável pela construção da unidade,  seu desempenho está de acordo com o planejado, exigindo alguns ajustes pequenos na forma de operação, na busca de melhor eficiência. “Os resultados obtidos até o momento são bons, mas sempre há espaço para aprimorar, seja na disponibilidade da casca, no transporte, no treinamento dos operadores ou no controle da qualidade da água”, observa.

A UTE São Sepé teve seu o projeto formalmente apresentado pelo presidente da Creral ao prefeito de São Sepé em 4 de setembro de 2013. As obras iniciaram em 15 de agosto de 2016, com cerca de 250 empresas fornecedoras, correspondendo a 500 empregos diretos.
Somente a negociação dos contratos de casca de arroz com os fornecedores, feita antes de iniciar a obra, durou praticamente um ano.

“A UTE São Sepé abriu um caminho para o uso da biomassa com casca de arroz no RS e hoje temos muitas visitas de empresários  interessados em conhecê-la”, diz Leão.

 

 

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