Morosidade do licenciamento ambiental mesmo depois de muitos anos ainda freia expansão de projetos de PCHs e CGHs no país, diz Daniel Faller

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Daniel Faller

A morosidade do licenciamento ambiental ainda é o principal fator que impede compatibilizar o volume de projetos já aprovados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) com a execução de obras de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) e Centrais de Geração Hidrelétricas (CGHs) na maior parte dos estados do país, conforme o empresário Daniel Faller, diretor da Hydrofall Consultoria, de Rio do Sul (SC), e sócio fundador da Lummi Energia, de Curitiba (PR).

Uma das raras exceções, segundo ele,  é o estado do Paraná que tem se mostrado proativo, buscando recuperar um tempo perdido no início dos anos 2000. “Santa Catarina e o Rio Grande do Sul parecem estar parados no tempo, o que se reflete em um número muito baixo de obras”, pontua o empresário.

Ele também enxerga um bom cenário para o setor em Goiás, Mato Grosso e Minas Gerais, estado em que o tanto a estatal Cemig como o setor privado vem investindo em centrais hidrelétricas.

GD
Em relação às CGHs, ele diz que a aprovação da lei da GD deu um fôlego para os investidores que estavam correndo atrás desses projetos. Todavia, ele adverte que “ é um tiro curto por que tem doze meses para solicitar os pareceres de acesso e 30 meses para entrar em operação”.

“Existe muita gente interessada”, avalia.  “Ocorre que o interesse está maior do que a velocidade do licenciamento. Tem muito projeto que não sei se será possível entregar dentro desses 30 meses, porque o licenciamento está muito lento. E só a obra leva doze a quinze meses”.

Alta dos insumos
Sobre a escalada dos preços dos insumos no setor, ele admite que houve uma estagnação nos últimos dois ou três meses. “ Já sentimos isso nos preços e não há mais aquela tendência de subir toda a semana”, relata. “A pressão mundial pelo consumo de insumos está tendendo à estabilidade e já tivemos a queda forte das cotações do minério de ferro e o preço do aço no mercado internacional está começando a cair.  O problema maior que temos no Brasil é que, com o câmbio alto, a tendência é que o preço ainda demore para baixar de fato”.

Quanto à crise hídrica, Faller diz não ter ilusões.  Ele vê a situação  da seguinte forma: “ Mesmo diante de todas as dificuldades que pais já enfrente, o governo vem a público para dizer que talvez tenha de tomar alguma medida”, afirma. “Isso mostra que a situação está muito ruim, basta ver que os reservatórios nunca estiveram tão baixos e o consumo de energia está muito elevado”.

Ele lembra que  em breve teremos o início do período chuvoso, o que reduz a probabilidade dos cortes de energia ainda neste ano. “Vamos fechar o período úmido com os reservatórios em níveis muito baixos e o governo vai despachar térmicas, dará um jeito de repassar a conta para o consumidor, mas em 2022 teremos um desafio muito grande”, prevê.

Leilão A-5
Decepcionante foi como Faller avaliou o resultado do leilão A-5, quando foram negociados 151 MW médios contratados e 860,8 MW de potência. “Como prevíamos, o leilão desta quinta feira foi pífio”, afirma. “ Apenas um projeto hídrico foi comercializado, com as distribuidoras mostrando baixa projeção de crescimento no consumo de energia. Isso mostra que a energia existente no país é apenas no papel, resultado de uma política setorial muito mal conduzida nas últimas décadas”, acrescenta. “Temos mais de 10 mil MW de projetos aprovados de PCH pela Aneel e o Plano Decenal de Energia  de 2030 prevê apenas 2.300 MW, isso é ridículo”.

 

 

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