HIDROVIAS- Navios de longo curso vão operar 24 horas em Porto Alegre

Cais do Porto de Porto Alegre Foto: Ivo Gonçalves / PMPA Fotos de Divulgação Assessoria de Comunicação Prefeitura de Porto Alegre

A partir de janeiro do próximo ano, navios de longo curso que utilizam a hidrovia da Lagoa dos Patos como rota entre Rio Grande e o porto de Porto Alegre vão circular 24 horas por dia devido a troca de 24 sinais cegos por pontos luminosos situados entre a ponta de Itapoã e o porto da capital. Até o momento apenas barcaças tem autorização para navegar entre as 18 horas e 6 horas do dia seguinte.

A informação foi apresentada pelo diretor de Hidrovias da Superintendência do Porto de Rio Grande, Eduardo Alves, nesta ter-feira, 23 de maio, durante o Café Hidroviário, encontro que reuniu aproximadamente cem operadores da iniciativa privada e representantes dos governos federal e estadual na sede da extinta SPH (Superintendência de Portos e Hidrovias), em Porto Alegre. A iniciativa é da ANTAQ (Agência Nacional de Transporte Aquaviário). De acordo com Alves, trata=se de uma novidade histórica.

“É inadmissível um navio navegar de Rio Grande até Porto Alegre e ser obrigado a ficar fundeado por doze horas só porque chegou após as 18 horas. Ou então chegar antes das 18 horas, realizar todo serviço de carregamento e não poder zarpar a meia noite”, explica. “Isso gera encarecimento da carga e perdas para armadores”, complementa Alves. O projeto começou o ano passado e demandou investimento de R$ 4,0 milhões, bancados pelo governo federal. Ao todo foram licitados 84 sinalizadores e boias. A rota Rio Grande-Porto Alegre possui 235 sinais náuticos.

Eduardo Alves adianta que os equipamentos começam a chegar em breve, mas que o prazo para entrar em operação depende da Marinha do Brasil. “São sete canais, cada um com um número de boias, e isso precisa passar pelo Centro de Geografia e depois pelo Centro de Sinalização da Marinha. Como eles atendem todo o Brasil, damos este prazo mais longo para o início”, assinala ele, lembrando que o Rio Grande do Sul é o único estado da federação que tem equipamento próprio e homologado para fazer este tipo de serviço.

Os temas do Café Hidroviário se concentraram em dois pontos: burocracia e a falta de recursos. Sobre este último, Adalberto Tokarski, diretor-geral da ANTAQ deixou claro que nos próximos dois anos não haverá recursos federais para a execução de projetos hidroviários no país. “Já temos poucos recursos. Considerando esse pouco dentro do ambiente que está aí hoje, a possibilidade de não ter recursos aqui no Rio Grande do Sul e para outros projetos é muito grande”, alertou.

Tokarski considera positiva a iniciativa gaúcha na criação da Associação Hidrovias RS, que pretende criar um fundo privado para o desenvolvimento do sistema hidroviário local. “O Rio Grande do Sul pode fazer uma PPP mista para poder estudar, planejar e executar seus projetos. A ideia é muito boa. Pode gerar segurança para o futuro e aí você consegue atrair investimentos”, comentou. “A insegurança de ter um trecho dragado e outro não, afugente investimentos”, assinalou o diretor-geral da ANTAQ.

Por Guilherme Arruda

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