Novas concessões de rodovias no estado devem conter formato capaz de permitir a participação de construtoras gaúchas, defende Sérgio Klein

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Sérgio Klein, coordenador do Conselho de Infraestrutura da Fiergs

Coordenador do conselho de infraestrutura (Coinfra) da Fiergs, o engenheiro Sérgio Luiz Klein, defende que para atender ao mercado das construtoras gaúchas as próximas concessões de rodovias, no estado, deveriam ser formadas por trechos de menor extensão a fim de possibilitar a participação de um maior número de empresas, seja de forma individual ou em consórcios.

Klein, em entrevista à MODAL, também sugere que após as concessões de rodovias com maior VDM, o estado deveria pensar na possibilidade de realizar alguma modalidade de PPPs para as rodovias de menor VDM cuja concessão seja inviável para a iniciativa privada, tendo em vista a necessidade permanente de obras de restauração e manutenção.

“Esse tipo de solução deve melhorar significativamente a situação de diversas estradas importantes para o escoamento da produção, com a consequente diminuição dos custos logísticos”.

Concessão ferroviária

Ao referir-se ao modal ferroviário, Klein sugere que o setor industrial e do agronegócio, além do governo estadual, deveriam participar mais ativamente das negociações do governo federal sobre a antecipação da concessão da Malha Sul administrada pela empresa Rumo, que se extingue em 2027. Isso porque dos 3259 km concedidos em 1997, 1506 km estão suspensos e sem manutenção, acrescentou.

Em princípio, o coordenador do Coinfra da Fiergs é favorável à antecipação da renovação da concessão desde que estejam bem definidos os investimentos nas ferrovias e nas composições ferroviárias de interesse do agronegócio e da indústria gaúcha. Isso inclui a reconstrução de trechos que ligam o RS aos países fronteiriços, como Cacequi – Uruguaiana, o ramal de São Borja e o trecho do entroncamento à Livramento, entre outros.  “A antecipação da concessão bem negociada é importante, tendo em vista que os investimentos poderiam ser feitos imediatamente e não a partir do ano de extinção, ou seja, em 2027”, pontua Klein.

O PELT-RS (Plano Estadual de Logística de Transportes) constatou, lembra o coordenador do Coinfra, que a matriz de transportes do RS está concentrada, de forma demasiada, no modal rodoviário, com uma participação de 88%.

Políticas públicas
É consenso – acrescenta-  que deveriam ser estabelecidas políticas públicas de incentivo aos modais menos utilizados e de comprovado menor custo de fretes para cargas de grandes volumes em grandes distâncias. “Isto não significa desestimular o transporte rodoviário, mas sim utilizá-lo nas pequenas distâncias e no chamado porta a porta. Por outro lado,  intensificar o uso da malha ferroviária e da rede hidrográfica. Sair do mero discurso e partir para a prática de uma política de estado para o equilíbrio da matriz de transportes com a consequente redução do custo logístico do RS”, completa.

Já em relação à empresa estatal recém-criada, Portos RS, Klein informa que o Coinfra vem se posicionando sobre o modal hidroviário com vistas a garantir uma melhora da manutenção, com dragagens regulares, além da eficaz sinalização.

“Nessa linha, foi sugerido que, além da concessão privada das dragagens do canal de acesso ao Porto de Rio Grande, seja analisada a possibilidade da contratação de empresas por períodos de até cinco anos ou através de alguma modalidade de PPP para a manutenção das principais vias navegáveis interiores, não só com dragagens regulares, mas também realizando o necessário balizamento e sinalização das mesmas”, assinala.

“Isto daria uma maior garantia às empresas de navegação e aos donos das cargas de utilizar as hidrovias o ano inteiro sem a possibilidade de qualquer redução de calado ou dificuldades de navegar por falta de sinalização”.

Demandas  não atendidas

De forma resumida, o coordenador do Coinfra da Fiergs lista as seguintes demandas ainda não atendidas no setor de infraestrutura do RS:  “ Melhora na capacidade de tráfego de rodovias de escoamento da produção, sejam  municipais, estaduais ou federais;  Melhor qualificação e distribuição da armazenagem das safras agrícolas;  Incentivos para a criação de plataformas logísticas modernas em áreas com possibilidade de integração dos diferentes modais de transporte;   Melhora da malha ferroviária e de suas locomotivas e vagões ; Melhora das condições para uma utilização mais eficiente das vias navegáveis.”

 

 

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