“Novo programa tem mais chances que o anterior”

O Programa de Investimento em Logística (PIL 2) é uma tentativa do governo federal de reativar as obras de infraestrutura no Brasil sem tutelar o setor privado, como ocorreu nos programas anteriores, disse a MODAL o economista Cláudio Frischtak, da Inter. B Consultoria Internacional de Negócios (RJ).   “Existem muitas incertezas sobre as condições macroeconômicas do país, pois estamos no meio de uma contração da atividade econômica. Por isso, o efeito dos números do primeiro semestre sobre o segundo poderá propiciar maior clareza em termos de expectativas ”, afirmou.
O especialista citou ainda a inflação e a taxa de juros como obstáculos aos investimentos, devido ao impacto sobre os insumos e o custo do capital. “Claro que existe o BNDES como garantia de finaciamento, mas até mesmo a TJLP aumentou. Como atuar se os juros estão subindo?”, indagou.
Sobre a perspectiva de atração de recursos do exterior, Frischtak considerou plausível a alternativa. Entretanto, argumentou que o mercado brasileiro teve sua imagem contaminada pela corrupção descoberta pela operação Lava-Jato, e isso pode comprometer o interesse de investidores externos. “O sucesso do PIL2 vai depender muito de como a questão macro afetará o interesse dos investidores. Entretanto, o grande desafio será viabilizar financiamentos”, acrescentou.
Se o governo eleger os melhores projetos, se conseguir atrair competidores por meio de road shows, os primeiros impactos reais poderão ocorrer no segundo trimestre de 2016, acredita Frischtak.  “Existe liquidez no capital internacional e os fundos de pensão podem ser uma boa fonte de recursos para o novo programa de concessão do governo. Por isso, é muito importante a existência de bons projetos, o que pode viabilizar a entrada de dinheiro estrangeiro nas obras de empresas nacionais”, apontou.
Em sua opinião,  o PIL 2 representa um avanço em comparação ao PAC e também em relação ao PIL1. NO PAC, segundo ele, o governo investiu com capital próprio e o resultado foi inexpressivo. Já o PIL1 usou os recursos do governo, mas em forma de tutela do setor privado, que se mostrou desinteressado. A única exceção foi no setor rodoviário que foi tocado por meio do Ministério dos Transportes. Isso porque o ministro  César Borges chamou os empresários para discutir as taxas de retorno à posteriori. No caso dos aeroportos, o programa fracassou porque o governo incluiu uma participação da Infraero em  49% dos aportes  (investimentos e ainda os pagamentos anuais da outorga), apesar de sua fragilidade financeira, sustentou.

 

 

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