O custo de não fazer

Cylon Rosa Neto/Divulgação

Infraestrutura é a mother lode do processo de desenvolvimento sustentável.

O Estado deseja se desenvolver com sustentabilidade? Aparentemente não, por quê?

Por que se abriu mão do duplica RS que hoje estaria concluso?

Por que não se conclui a BR-116 sul e tem a sociedade um custo anual de R$ 312 milhões em perdas de uma rodovia com obra de duplicação paralisada e 80% conclusa? Sem falar nas vidas de custo imensurável que se perdem nos riscos e sinistros da pista simples…

Por que não se construiu a BR-116 norte na RMPA-Polão- e a sociedade perde R$ 1,2 bilhão/ano?

Por que não se conclui o aeroporto e se abre mão de R$ 3,3 bilhões?

Por que não se conclui as obras de irrigação iniciadas há 10 anos e deixamos de agregar 1 bilhão/ano de produção agrícola?

Por que não se deixou a Concepa construir a segunda ponte que hoje estaria pronta?

Por que extinguimos o programa de concessões de rodovias e ao invés de promover o financiamento privado de infraestrutura pública, se criou uma Empresa Pública que não pode investir e cumprir seu papel porque tem as tarifas defasadas e irreais, de forma a inviabilizar sua operação e seus investimentos nas rodovias sob sua égide?

Neste mundo de faz de conta e de não fazer, o mundo real faz o custo logístico do RS ser aproximadamente 20% do custo de produção, enquanto nossos competidores internacionais tem a metade deste valor. É simplesmente uma questão de sobrevivência trazer o custo logístico para a realidade competitiva internacional. Com esta realização traria o Estado também para efetividade uma infraestrutura compatível com indicadores de desenvolvimento sustentável que certamente levariam o RS a outro patamar de IDH.

Nunca nos orgulhamos daquilo que realizamos e sim sempre se justifica o porquê a Sociedade Gaúcha deixa de fazer, pois na verdade tornamo-nos uma sociedade doente, a qual se alimenta dos seus conflitos e divergências e não trabalha por suas convergências, muito menos para suprir suas necessidades para construir seu futuro.

O Brasil há três décadas investe pouco mais de 2% em infraestrutura, conforme dados de levantamento de Gambiagi e Pinheiro(2012). Isto gera um déficit cumulativo que leva o País a não acompanhar o dinamismo de sua economia neste quesito, com o agravante da questão da infraestrutura tornar-se um entrave à eficiência da atividade econômica. Este círculo vicioso conduz o País a ter em torno de 53% de infraestrutura em % do PIB, quando a média mundial desejada é em torno de 70%, tendo o Japão como ícone com 179% do PIB em estoque de infraestrutura (Mackinsey, Global Institute). A situação do RS é mais grave que a do País.

Então, cabe-nos fazer uma terapia social, redirecionarmos todos nossos vetores de ação de desenvolvimento, no sentido de termos sinergia nas convergências que construam nosso futuro, não em disputas menores que tem dirigido as ações político-econômicas fracassadas das últimas décadas, as quais levaram o RS a situação presente de ruína formal e financeira.

Sugiro a reflexão das forças vivas da nossa sociedade no sentido da mudança de atitude e a deixarmos de não fazer, pois assim agindo talvez tenhamos alguma perspectiva de futuro sob consistentes indicadores de desenvolvimento sustentável no pilar estrutural da infraestrutura, apenas para começar…

Engenheiro Cylon Rosa Neto- vice-presidente do Sicepot-RS, presidente do Fórum de Infraestrutura do RS.

 

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